Educação Inclusiva: um novo olhar no âmbito escolar

1  INTRODUÇÃO

A trajetória histórica da inclusão teve seu marco inicial na década de noventa, onde foram realizadas diversas convenções internacionais em vários países e continentes. A inclusão é um movimento mundial de luta das pessoas com deficiências e seus familiares na busca dos seus direitos e lugar na sociedade.

Mas o que é de fato a inclusão? O que leva as pessoas a terem entendimentos e significados tão diferentes? Nossa perspectiva nesta reflexão é que esse processo possa se configurar enquanto uma ação educativa total, na qual a escola deve se abrir para incluir todos e todas. Nossa pretensão com esse artigo é contribuir para que:

  • Os (as) docentes possam se despojar do medo, da insegurança, do preconceito e da resistência;
  • A comunidade escolar possa olhar para o novo, o dessemelhante e para a diversidade, não como um obstáculo, mas sim como um atributo significante ao sistema educacional;
  • Os (as) estudantes possam romper barreiras, superar seus próprios limites, vencer desafios, eliminar preconceitos;
  • O sistema educacional possa se adequar para receber na escola todas as pessoas seja elas deficientes ou não;

Nosso objetivo com esse estudo é fazer com que aqueles que não acreditam na inclusão, possam ver a possibilidade de que ser deficiente também é ser capaz, ser diferente é também ser dotado de possibilidades, enfim, ser portador de alguma necessidade é ter direito de mostrar suas potencialidades.

A inclusão escolar configura-se como um tema que vem provocando aos professores alguns momentos de reflexões, principalmente, quando observamos na escola os múltiplos olhares dos educadores frente à inclusão na diversidade.

2  DESENVOLVIMENTO

Pensar no outro, no diferente, na diversidade, é pensar na possibilidade de reduzir e eliminar as barreiras do preconceito, da discriminação e da desigualdade. Frente ao complexo processo de inclusão escolar entendemos que devemos centrar em princípios como: a aceitação das diferenças individuais, a valorização de cada pessoa, a convivência dentro da diversidade humana, a aprendizagem através da cooperação. O problema crucial para que no sistema educacional atual não ocorra a inclusão, centra-se em dogmas autoritários que alguns professores e/ou gestores da educação insistem em manter. Numa escola libertadora, humana e humanizante cuja prioridade é a diversidade, a inclusão se legitima a partir das necessidades de que todos (as), sem distinção, devem ser incluídos, não importando, portanto, qualquer que seja a etnia e/ou cultura e/ou orientação sexual e/ou deficiência.

Em se tratando da escola, instituição criada para libertar homens e mulheres da opressão e da alienação política, a meu ver ao contrário dos seus objetivos, esta escola tem se configurado como seletista, marginalizadora e conservadora e, portanto, não permitindo a todos e todas, oportunidades e/ou igualdades. O problema é que na escola, as práticas sociais e os processos educativos se encontram ladeadas por dois discursos: de um lado, o discurso da inclusão educacional pautado no despreparo dos profissionais da educação que não têm ou não recebem formação adequada para conviver com esta realidade. De outro lado, o problema é o da integração que a nosso ver não serve, porque só integra aqueles que conseguem adaptar-se ao meio, se manter no sistema, sem que a sociedade se modifique para recebê-lo. Partindo dessa premissa, o grande questionamento é: “e aqueles que não conseguiram se integrar?”. Em nossa reflexão nesse estudo somos partidários de que o processo de inclusão escolar deve ocorrer em todo sistema de ensino. Partilhamos também da idéia de que a inclusão é a forma pela qual todas as pessoas, deficientes ou não, devam ser incluídas no ensino regular. No entanto, temos a clareza de que a educação inclusiva por se tratar de um processo novo na nossa legislação educacional, configura-se como um projeto de educação em construção, portanto, inconcluso, que ainda não está pronto e acabado. Seu fracasso ou o seu sucesso depende de nós para que a educação se torne verdadeiramente inclusiva.

A inclusão é a melhor forma de oportunizar e possibilitar que as pessoas deficientes possam desempenhar suas capacidades e/ou potencialidades, independente do grau de sua deficiência ou de sua diferença social. Desse modo, a meu ver incluir é despojar de preconceitos, discriminações, aceitarem as diferenças, respeitar a diversidade, Incluir é garantir espaços, abrir horizontes, respeitar o outro, o diferente, enfim, possibilitar que todos possam mesmo sendo diferentes gozar de direitos sociais, políticos e culturais. Parece-nos um tanto quanto distorcida a idéia de que a inclusão deve centrar-se apenas pelo sistema de ensino, sistematizado, pelas vias escolares, tendo como base a educação formativa, pautada em aspectos pedagógicos, teóricos e conceituais dirigidos por decretos ou orientados por pseudo-profissionais que não vivem ou nunca viveram e vivenciaram práticas sociais de inclusão. Pensar no outro, no diferente, na diversidade, é pensar na possibilidade de conviver juntos mesmo que no grupo possa haver a diferença. É importante ressaltar que ao pensar, refletir e analisar a prática social da convivência escolar e os processos educativos envolvidos possibilita que homens e mulheres possam se conscientizar do importante papel que ocupam na sociedade atual.

Sendo assim, Brandão (1986) ressalta que “não há uma forma única nem um modelo único de educação: a escola não é o único lugar onde ela acontece e talvez nem seja o melhor; o ensino escolar não é a sua única prática e o professor profissional não é o seu único praticante” (p.09).

Mas o que é conscientizar? Em linhas gerais diríamos que conscientizar é saber decidir, ter clareza daquilo que preconiza ser relevante à conquista de espaços coletivos. Nessa trajetória profissional, o maior desafio da escola que observa o outro, o estranho, o diferente e que respeita a diversidade é garantir a educação para todas as pessoas historicamente excluídas, marginalizadas e oprimidas. Isso se configura, a nosso ver, um processo relativamente novo em nossa legislação.

3  CONCLUSÃO

Nossa intenção nesta reflexão é demonstrar que a inclusão propõe mudanças de paradigmas, sepulta o modelo singular de educação, sugere sua pluralidade, abala a estrutura do professorado, enfim, permite que as alunas e os alunos sejam aqueles, cuja identidade não está centrada apenas nas diferenças, quer sejam modelo único e intocável, ao contrário, na escola inclusiva as alunas e os alunos constroem conjuntamente com a comunidade escolar a sua identidade diante das experiências coletivas. È viver as diferenças de forma empática, respeitando o momento de cada pessoa em qualquer área do âmbito escolar que se esteja inserido.

“NINGUEM É TOTALMENTE PERFEITO, QUE NÃO CONSIGA VIVER COM AS DIFERENÇAS, SEJAM ELAS NAS OUTRAS PESSOAS OU EM NÓS MESMOS.” (autoria própria)

 

REFERÊNCIAS

BOSI, Ecléa. Memória e Sociedade: lembranças de velhos. São Paulo, Ed. T. A. Queiroz, 1979.

BULGARELLI, Reinaldo S. A diversidade e a experiência de fazer juntos. 2004. Disponível em: Acesso em: 17 de maio de 2007.

CAIADO Kátia Regina Moreno. Aluno deficiente visual na escola: lembranças e depoimentos, 1° edição, Campinas SP, ed. Autores Associados: PUC, 2003.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

RODRIGUES, David. Inclusão e Educação: Doze olhares sobre a educação inclusiva. São Paulo: ed. Summus, 2006.

SASSAKI, R. K. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro: WVA, 1997.

 

 

Rosiley Cristina Valentim



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