Educação para deficientes visuais: Um processo de inclusão

Introdução

Atualmente muito se tem falado sobre inclusão, isso se dá devido à imposição feita por nossa cultura através dos conceitos de beleza e normalidade. Ser magro, alto, branco, sem deficiências físicas é imposto como padrão, denominando característica opostas a essas como excludentes. É dentro deste contexto que a educação se faz necessária e indispensável, pois será através dela que a mudança em nossos conceitos acontecerá.

O deficiente visual, assim como outros deficientes, tem enfrentado alem dos obstáculos físicos, os obstáculos culturais que os apontam como incapazes. É através do Sistema Braille que a educação inclusiva possibilitará ao aluno a comunicação e a socialização com os demais educandos, quebrando a imposição de um padrão para inclusão na sociedade.

O Sistema Braille permite ao aluno ler e escrever de forma independente, facilitando a comunicação e o acesso a informações. A inclusão do deficiente visual pela educação resultará na melhoria da auto-estima, que é perdida após o quadro de cegueira. Por esses motivos se faz necessário a capacitação dos profissionais nas redes de ensino tanto públicas como privadas.

 

Imposições sociais

Quando o ser humano nasce ele é uma página em branco, ou seja, não tem pré-conceitos e está livre de padrões de beleza e capacidade, impostos pela sociedade, porém ao longo de sua vida quando passa pelo processo de socialização, os indivíduos absorvem valores e conceitos de como enxergar as pessoas e assim passam a excluir ou incluir os outros e a si mesmos, baseados nessas imposições.

Um fato social reconhece-se pelo seu poder de coação externa que exerce ou é suscetível de exercer sobre os indivíduos; e a presença desse poder reconhece-se, por sua vez, pela existência de uma sanção determinada ou pela resistência que o fato opõe a qualquer iniciativa individual que tenda a violentá-lo […]. É um fato social toda a maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coação exterior, ou ainda, que é geral no conjunto de uma dada sociedade tendo, ao mesmo tempo, uma existência própria, independente das suas manifestações individuais (DURKHEIM, 1985, p.9)

É através do convívio social que o ser humano absorve conceitos vistos como certos ou errados e baseados nesses conceitos o indivíduo irá julgar o outro e a si mesmo como alguém capaz ou não de fazer parte da sociedade e de suas atividades. É neste contexto que a educação escolar é inserida, sendo o principal mecanismo de mudança nos conceitos impostos. Como o primeiro contato social se dá através da pré-escola e é através dela que a criança aprende a conviver em grupo, compartilhar e a enxergar o outro, os educadores devem estar capacitados ao máximo, para ensinar que cada ser humano é diferente um do outro, sendo único, mas isso deve ser visto como uma qualidade e por esse motivo devem receber tratamentos iguais para que todos possam ser incluídos na sociedade de forma justa.

Segundo critérios estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde, os diferentes graus de deficiência visual podem ser classificados como baixa visão, sendo esta compensada com o uso de lentes de aumento, lupas ou telescópios, próximo à cegueira, quando a pessoa ainda é capaz de distinguir luz e sombra, e cegueira, quando não existe qualquer percepção de luz, “grifo nosso”.

A educação inclusiva para deficientes visuais é feita através do Sistema Braille, sendo este um sistema universal de códigos que permite a leitura e a escrita de pessoas cegas, e é esse o principal mecanismo de inclusão para tais deficiente. Através do Braille o educando consegue “enxergar” o mundo utilizando o tato e aprende a aguçar seus demais sentidos possibilitando a comunicação com o educador e sua alfabetização. É através do tato que a criança tem uma percepção do mundo e da realidade que a cerca, necessitando de muito treino e ensino.

 

A Educação Inclusiva

O processo de inclusão se inicia ao inserir o deficiente visual na escola, sendo este um ambiente comum. Posteriormente este educando terá autonomia e será capaz de tomar decisões e cuidar de si, sendo uma pessoa independente com capacidade de frequentar lugares comuns e de se relacionar com a sociedade. Mas a inclusão vai além da possibilidade de inserir pessoas com deficiências no convívio comum, é a mudança no pensamento dos indivíduos e em suas atitudes, é ter o processo de inclusão como algo natural, normal para todos e não um mecanismo aplicado, discutido e visto como objeto de estudo.

Neste contexto, é possível perceber que as escolas e os seus profissionais são de suma importância para a educação inclusiva e para o desenvolvimento cognitivo das crianças com deficiência visual, e que é parte fundamental para a mudança nos conceitos pré-existente na sociedade, uma vez que é através das crianças de hoje que se tem o adulto de amanhã.

A educação inclusiva também possibilita que o deficiente visual tenha uma qualidade de vida melhor, uma vez que sua auto-estima é resgatada pela inclusão no meio social, principalmente nos casos de deficiência adquirida, onde o individuo tem a possibilidade de resgatar suas relações e até mesmo voltar ao mercado de trabalho. Mas a inclusão social só é possível com a ajuda de familiares e amigos que convivem diretamente com portador deficiência, uma vez que estes participam de suas atividades cotidianas.

 

Conclusão

Um dos conceitos descrito pelo dicionário Aurélio (2001) para a palavra preconceito é suspeita, sendo esta uma desconfiança de algo ou alguém. Baseado nisso, julgar alguém por sua deficiência e afirmar que esta não é capaz de conviver com pessoas sem deficiência não é só errado, mas injusto.

A educação inclusiva tem como objetivo introduzir nas escolas e no processo de alfabetização, alunos com algum tipo de deficiência, entre eles os deficientes visuais, possibilitando que estes possam levar uma vida normal com atividades variadas. A socialização consequente da inserção dos portadores de deficiência visual nas escolas desmistifica o conceito de incapaz existente na sociedade, formando cidadãos conhecedores do verdadeiro significado da palavra deficiente, acabando com a padronização existente.

Os profissionais da educação, através do Sistema Braille, permitem que o deficiente visual tenha uma qualidade de vida melhor, aprendendo a ler e escrever, frequentando ambientes comuns, tendo acesso à comunicação e podendo se relacionar com outras pessoas, partilhando da igualdade de condições para todos os membros da sociedade.

A educação inclusiva para deficientes visuais iniciou através do Sistema Braille e são os profissionais da educação que tem dado prosseguimento nessa inclusão, modificando a recepção dada pela sociedade a esses deficientes. Mas esse processo é contínuo e precisa da ajuda e colaboração de todos os indivíduos como os pais e familiares, que também são educadores e fazem parte do cotidiano social. Nada pode impedir que o objetivo principal da educação inclusiva se cumpra, os esforços não podem ser pequenos e deve incluir cada ser humano, uma vez que a sociedade é composta por eles.

Luciene vieira Pires Simão



2 thoughts on “Educação para deficientes visuais: Um processo de inclusão

  1. JOSE VASCONCELO says:

    Bom dia
    Bom Dia

    Minha esposa teve sequelas de Sindrome de marfan, e esta com apenas 20% de visão, estamos tentando achar um clinica, ou pessoas, para treina – la, para andar sozinha pelas ruas, enfin ter uma vida normal, ele tem 56 anos

    jose vasconcelos tel 98736 6648

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