A formação de professores de educação especial de crianças surdas e sua visão sobre a inclusão no ensino regular.

The formation of teachers of special education for deaf children and their point of view about the inclusion of these students in the regular education system.

Sônia Regina Sena de Souza.[1]

Maria Tereza Moreno Valdés.[2]

 

Resumo

O presente estudo busca observar de que maneira está se desenvolvendo a atuação dos professores de Educação Especial para surdos, com vista a lhes permitir o trabalho em diferentes contextos, e o desempenho de um papel-chave na sua função de mediador. Se os mesmos possuem competência para atuar no processo de ensino-aprendizagem dos alunos com NEE, inclusive os surdos e, quais as suas concepções quanto à inclusão desses alunos no ensino regular. Optou-se por pesquisa de campo, descritiva, na análise qualitativa do tipo estudo de caso, através das técnicas de observação direta na escola e questionário estruturado com 07(sete) professores do Instituto Filippo Smaldone. Estes procedimentos permitiram concluir que a pesquisa revela pouco do professor sobre o processo de inclusão, mostrando ainda que as práticas docentes em sua maioria pareçam basear-se na intuição. Mesmo assim, há um inegável esforço de todos que compõe esta escola para torná-la o  mais próximo possível de uma escola de ensino regular, e que contribuirá para que seus alunos surdos eficazmente possam enfrentar as escolas regulares: procurando seu espaço, enfrentando o mundo real. É verdadeira a perspectiva inclusiva onde a maioria dos professores não acredita no processo de inclusão, caso não haja uma transformação nas escolas seja de Educação Especial ou de Ensino Regular, na tentativa de superar os obstáculos presentes, com a formação e capacitação docente, como meta principal a ser alcançada na concretização do sistema educacional, que incluía a todos, de forma global.

Palavras-chave: Formação docente – Inclusão – Surdos.

 

Abstract

This paper aims to study the development of the performance of the teachers of special Education for deaf people, whose main objective is to allow them to work within different context, as well as their key-role as mediators. Inquire if they have the skills to act in the process of teaching – learning of the pupils with EEN – Especial Education Needs, including the deaf ones, what are their conceptions with regard the inclusion of these students in the regular teaching. The field and descriptive research has been chosen for the qualitative analysis of the case, through the use of direct observation techniques while at school and structured questionnaire to 7 (seven) teachers of the Filippo Smaldone Institute. These procedures have allowed to conclude that the research itself reveals very little about the teacher within the inclusion process and have shown that the teaching practices, in their majority, seems to be based on their intuition only. Nevertheless, there is an undeniable effort of all of those involved to become the school as near as possible of a regular teaching one, which certainly will contribute with efficacy for their pupils to face the regular schools: conquering their space, facing the real world. It is the real inclusive perspective, where the majority of the teachers do not believe in the inclusion process, unless a real transformation takes place either in the Especial, or regular teaching, as an attempt to overcome the existing hurdles for the formation and teachers’ capacity improvement, as the main goal to be reached in the educational system concretization, which will include anyone in a global manner.

Key-words: Teachers’ formation. Inclusion. Deaf people.

 

Introdução

A educação formal em nosso país vem sendo alvo de inúmeros trabalhos acadêmicos, os quais procuram cada um em seu campo de atuação, colaborar para a efetivação de uma prática escolar que seja realmente democrática, portanto, inclusiva.

Com este entendimento, o presente estudo buscou conhecer a cerca da formação de professoras de educação especial de crianças surdas e sua visão sobre a inclusão no ensino regular.

No decorrer da história, a criança deficiente nunca teve o seu lugar de respeito, sendo tratada à base do isolamento do resto da sociedade. De princípio, as pessoas com deficiência auditiva eram consideradas incapazes de serem ensinadas; por isso, principalmente as que não falavam eram excluídas, tanto do convívio escolar como social, proibidas de casar, possuir ou herdar bens e viver como as demais pessoas (BUENO, 1993).

Dentro do cenário social, a Política Nacional de Educação resguarda o direito do homem à educação, independente de gênero, raça, idade ou classe social. Assim, o acesso à escola transcenderia o processo de matrícula e naturalmente implicaria no atendimento que ofereça formação educacional que responda às necessidades dos educandos. Nessa direção, o MEC admite que: “… a não garantia de acesso à escola na idade própria, seja por incúria do Poder Público ou por omissão da família e da sociedade, é a forma mais perversa e irremediável de exclusão social, pois nega o direito elementar de cidadania” (BRASIL, MEC, 1997, p. 19).

O movimento nacional de educação para todos, proporciona discussões em torno da educação inclusiva, posto que se propõe a atender a todas as crianças inclusive àquelas consideradas portadoras de necessidades educacionais especiais. Dentro do movimento em torno da educação inclusiva, a Declaração de Salamanca é o documento mais citado, quando se discute sobre Educação Especial. Em relação à educação de crianças surdas é descrito em seu artigo 19.

Políticas educacionais deveram levar em total consideração as diferenças e situações individuais. A importância de linguagem de signos como meio de comunicação entre os surdos, por exemplo, deveria ser reconhecida e provisão deveria ser feita no sentido de garantir que todas as pessoas surdas tenham acesso à educação em sua Língua Nacional de Signos… (BRASIL, 1994).

Contrapondo-se toda e qualquer forma de discriminação social, emerge o paradigma da inclusão. Segundo Sassaki, (1999), esse movimento começou na metade dos anos 80, nos países mais desenvolvidos, tomando impulso na década de 90, nos países em desenvolvimento. Nessa perspectiva inclusiva, as pessoas com surdez passaram a ser reconhecidas com possibilidades de desenvolvimento.

No campo educacional, a inclusão parte do princípio de que todas as pessoas podem aprender juntas, independentemente das dificuldades ou diferenças que elas possam apresentar. Para tanto, as escolas e a sociedade precisam se modificar para responder às necessidades específicas de seus membros. Essa tendência inclusiva encontrou respaldo nos documentos, tais como: Constituição Federal (1988), Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDBEN (Lei nº 9.394/96), e a Declaração de Salamanca (1994), as quais asseguram: “Atendimento Educacional Especializado, preferencialmente na rede regular de ensino” e deixam claro, que além do acesso, as escolas precisam promover ensino de qualidade, oferecendo: currículo, métodos, técnicas, recursos educativos e organizações específicas, professores do ensino regular, capacitados para atender as peculiaridades dos alunos (LDB inciso I e II, artigo, 59). É assegurado, também, aos deficientes auditivos, acesso à Língua de Sinais (LIBRAS), como meio de comunicação.

Frente a esse desafio proposto ao sistema educacional, fez-se necessário verificar até que ponto a prática docente está contribuindo para o processo ensino-aprendizagem? E de que forma o ensino regular está correspondendo às necessidades específicas desses alunos? Estão os professores preparados para atender a essa clientela?

São essas as questões que desejamos abordar neste estudo, procurando respaldo em autores que discutem a temática e construindo resultados juntamente com desenvolvimento do trabalho de campo.

O objeto de estudo é a formação de professores de Educação Especial para surdos.

O objetivo desta pesquisa é caracterizar a formação de professores, determinando se os mesmos têm formação especifica para atuar na educação especial e/ou educação de surdos.

Os questionamentos norteadores do presente estudo são:

  • Como está desenvolvendo-se a atuação dos professores no ensino de surdo?
  • Possuem capacitação para atuar com alunos com NEE – Necessidades Educativas Especiais?
  • Quais são suas concepções sobre a inclusão dos surdos no ensino regular?

Formação do Professor: Fundamentação Teórica.

A formação do professor, pela interação e multiplicidade de fatores que intervêm neste processo, exige abordagens teóricas diversificadas e análises de perspectiva multidisciplinar com feições diversas, conforme seja o docente considerado profissional ou semi-profissional.

Referente à Formação de Professores na Educação Inclusiva, embasou-se nos pressupostos teóricos de Soares (2003), onde a mesma cita que a produção de práticas diversificadas, é, talvez, uma primeira tentativa de responder às interrogações que são evitadas pela escola. Soares (2003, p. 52), questiona ainda sobre quais seriam “os meios mais eficazes de transmitir a todos os conhecimentos e as habilidades que a escola exige de todos e que as diferentes classes sociais só transmitem de forma desigual”.

Soares (2003), também mostra que nos dias de hoje, a inserção de aluno com deficiência, no ensino regular, está revestida de significação política diferente e há, de certo modo, uma exigência de resposta positiva em relação à permanência desse aluno no interior da escola. Por outro lado, como alguns estudiosos revelaram que a inserção no ensino regular não tem trazido benefício para os alunos surdos, isso impõe aos especialistas uma atuação mais efetiva junto às escolas, de maneira a suprir aquilo que, tanto os profissionais da educação comum quanto os profissionais da educação especial, alegam ser o principal elemento de contribuição para melhor desempenho acadêmico do aluno com deficiência, que é o trabalho de apoio pedagógico dado à escola.

Soares afirma por meio da análise da proposta curricular para a Educação de surdos, que os procedimentos ali apresentados, como estratégias de ensino, não eram diferentes dos utilizados no ensino regular. As estratégias que podiam ser consideradas como específicas para o ensino de surdos, eram, somente, as destinadas ao desenvolvimento da fala e da audição.

Soares relata ainda, que essas questões parecem deixar claro o grande desafio que o trabalho de apoio junto ao Ensino Fundamental do ensino regular, de uma escola pública, impõe ao professor especializado em educação de surdos. Por isso, propõe que o especialista deve atuar em três instâncias junto ao ensino regular:

  • Trabalho individualizado com o aluno;
  • Trabalho individualizado como prof.º de classe;
  • Participação conjunta em sala de aula.

Soares (2003), concluiu que, há um número reduzido de produção de conhecimento a respeito das práticas educativas, principalmente em relação ao ensino de surdos; é que esse trabalho impõe ao professor do ensino especializado uma atuação conjunta com o professor do ensino regular, para, a partir do conhecimento acumulado por ambos, obtido pela experiência de uma prática diária, dos fracassos e de sucessos obtidos, construir práticas educativas que contemplem as desigualdades dos nossos alunos.

O professor Especializado na Educação da criança surda.

O que distinguiria o apoio, tão requisitado aos profissionais da educação especial, daqueles que vêm sendo realizados no ensino regular? O que caracteriza a especificidade da prática pedagógica voltada aos alunos surdos?

Esses pontos constituíram os motivos da escolha de Soares novamente para o embasamento desses pressupostos teóricos.

Para Soares (2003), é necessário que haja uma melhoria na qualidade da formação dos profissionais da educação, pois foi verificado um baixo rendimento escolar na maioria dos alunos com necessidades educacionais especiais, inseridos em classes comuns. A aprendizagem escolar, por parte desses alunos, mostrou-se precária e insuficiente.

Como afirma Soares, a especialização do professor tem como objetivo fundamental capacitá-lo para ensinar os conteúdos escolares aos alunos surdos. Possibilitar-se o acesso à escolaridade é um direito garantido pela Constituição. Para isso, torna-se necessário, dirigir os estudos para as questões relativas às práticas pedagógicas e isso requer que se torne como referência o conhecimento produzido em outras áreas sociais. Deixa claro que essas reflexões são importantes para que encaminhamentos apressados não sejam tomados, às vezes, como únicos necessários para que o professor possa ensinar os conteúdos escolares a uma criança surda. Como, por exemplo, o domínio da Língua de Sinais e a presença do interprete.

Reflexões Sobre a Prática

A temática da educação inclusiva merece várias reflexões críticas sobre sua implementação. Precisam-se analisar os vários aspectos sociais, políticos e econômicos, que envolvem essa proposta. Encontrar um posicionamento coerente entre o real e o ideal tem sido objeto de estudo de vários educadores que discutem sucesso e fracasso escolar.

Pensar em discutir a inclusão das crianças com NEE’s torna-se desafiante, como aponta Salles (2003), por levantar questões referentes às nossas resistências na mudança do paradigma da exclusão. Dessa forma, o trabalho de reflexão sobre a realidade concreta, surge como espaço para organização de novos meios de relação, de contato com a possibilidade de singularidades e abre caminhos para a cultura da sociedade de direitos e da educação inclusiva.

A demanda de trabalho com as famílias não pode ser negada. Elas são o elo fundamental na luta pelas condições adequadas para a inclusão, ajudam a romper as barreiras das mentalidades e, aumentar a força de impacto das pressões políticas.

Salles (2003) salienta que na perspectiva de construção de uma cultura inclusiva, devem-se incentivar os estudos sobre as diversas necessidades especiais orgânicas, psicológicas com o objetivo de instrumentalizá-los para avaliar encaminhar e atender o aluno na sala de aula. No entanto, percebe-se a necessidade de algumas condições mínimas de trabalho, para executar, profissionalmente, a atividade docente. Sem condições adequadas de ação educativa, não é possível construir inclusão.

A escola inclusiva se concretiza na medida em que se conquista uma escola de qualidade para as classes desfavorecidas economicamente. Ainda lembrando Salles (2003), pode-se dizer que as discussões sobre a escola inclusiva se relacionam aos sonhos de construção de outro mundo possível, no qual haja dignamente para todas as pessoas. Entretanto, exigem o despertar da potência e da expansão da vida em cada um de nós, gerando novos e diferentes agenciamentos, para fazermos juntos essa sociedade mais justa e solidária.

Tendências na Formação do Professor Reflexivo e Crítico

A idéia do profissional reflexivo busca dar conta da forma como este profissional enfrenta situações que não são resolvidas com os recursos técnicos. Para (Schön, apud, Paiva, 2003), a prática profissional, muitas vezes, não se encontra submetida à lógica da racionalidade e das estratégias deduzidas da investigação, mas opõe à aplicação de tais recursos, convertendo-se em um processo de exploração, “em conversação” com a situação e guiado pela reflexão. Neste modelo, o conceito-chave no processo de formação é o da profissionalização essencialmente centrada no comprometimento com uma prática reflexiva e com a aquisição de saberes e competências retiradas da análise da prática.

A reflexão não consiste em um conjunto de passos ou procedimentos específicos a serem utilizados pelos professores, mas é uma maneira de encarar e responder aos problemas. A reflexão vai além da busca de soluções lógicas e racionais e implica intuição, emoção e paixão. Referindo-se ao docente, a reflexão é uma maneira de ser professor.

A prática reflexiva competente pressupõe uma situação institucional que conduz a uma definição de papel que valorize a reflexão e a ação coletivas orientadas a alterar não só as interações na sala de aula e na escola, mas também entre a escola e a comunidade imediata e entre a escola e as estruturas sociais mais amplas. (PERRENOUD, 2002, p. 103).

A reflexão crítica é um processo social e coletivo, que estimula a autonomia do professor na expressão de seu poder de contribuir para a construção do seu processo de formação e do projeto educativo da escola, considerando as relações de seu pensamento e ação em contextos históricos reais e concretos.

Metodologia

Participaram do levantamento de dados desta pesquisa, (7) sete professores de Educação Especial para Surdos do Ensino Fundamental I, da Instituição Filantrópica Instituto Filippo Smaldone – Centro Educacional de Áudiocomunicação- CEAC, Fortaleza-CE.

Por diversos motivos, recusa em serem entrevistados, falta de tempo disponível, prontificaram-se a responder ao questionário apenas 7 (sete) dos sujeitos esperados.

O material utilizado para o presente estudo foi um questionário estruturado com perguntas fechadas, ou com alternativas fixas, abertas. Tal questionário foi construído pelo grupo de pesquisadores em Educação Especial da UECE – Universidade Estadual do Ceará, (VALDÉS, et al., 2004). O questionário sofreu algumas alterações, de acordo com os sujeitos pesquisadores, focalizando aspectos como: formação de professor, conhecimento sobre NEE, inclusão no ensino regular. Não foram usados gravadores. Utilizou-se um diário de campo, nos casos em que os professores fizeram comentários além das respostas dos questionários.

Foi solicitada à direção da escola a possibilidade de se apresentar aos professores, sobre a pesquisa e o objetivo do estudo. Com a permissão concedida, perguntou-se ao grupo de professores quem poderia participar da pesquisa, respondendo a um questionário para professores de Educação Especial. Após a aceitação, a sua devolução ficou agendada para 30 dias.

Optou-se por observação participante, para compreender melhor a realidade, a qual se está vivenciando no momento, e por ser parte essencial do trabalho de campo na pesquisa qualitativa.

Devido a esse fato, decidiu-se por uma pesquisa qualitativa, do tipo estudo de caso, pois de acordo com (MINAYO, 2000), deve ser aplicada em situações onde os comportamentos relevantes não podem ser manipulados, mas onde é possível se fazer observações diretas e sistemáticas.

Após a coleta dos questionários, os dados foram analisados qualitativamente, através da técnica denominada, análise de conteúdo. Optou-se pelo questionário estruturado, por ser o instrumento mais comum utilizado em coleta de dados, dada a impossibilidade de realizar entrevistas o que possibilita conhecerem-se as características de um grupo ou indivíduos. Procedeu-se, também, à análise documental ao Projeto Político-Pedagógico-2004 e o Regimento Interno, que tem por finalidade as disposições dos Art. 2°, 3°, 29°, 32° e 58° da Lei n° de 9394/96 e do Art. 3° da Resolução n° 2 do Conselho Nacional de Educação – Câmara de Educação Básica.

Resultados e Discussões

Tendo em vista os objetivos traçados, a pesquisa é qualitativa, do tipo estudo de caso e a investigação de campo foi feita através de um questionário semi-estruturado, com perguntas abertas e/ou fechadas, e os sujeitos pesquisados foram os professores de Educação Especial de Surdos do Instituto Filippo Smaldone. Participaram, respondendo ao questionário professores do Ensino Fundamental I (1ª a 4ª série) selecionados aleatoriamente, num total de 16, sendo que se prontificaram a responder apenas 07, a coleta de dados junto aos professores foi realizada através de um questionário, abrangendo questões referentes à Educação Inclusiva mediante o seguinte zoneamento:

  • Identificação dos professores;
  • Conhecimento sobre Deficiência Auditiva;
  • Contato e Atuação com criança deficiente auditiva;
  • Ambiente escolar e o processo ensino-aprendizagem.

Dos 7 (sete) professores que responderam ao questionário, 4 (quatro) afirmaram ter conhecimentos na área de Educação Especial adquiridos nos cursos de graduação, habilitação e formação continuada; 1(um) possui curso de especialização, mas não especificou, e não possui curso de capacitação na área na qual trabalha; 1 (um) não possui curso de especialização, sem especificar, e está em processo o curso de capacitação na área na qual trabalha. Outro dado detectado, é o despreparo e desconhecimento dos professores no processo de ensino aprendizagem dos alunos com NEE os “surdos”. Segundo Pimenta,

O docente não é formado apenas na prática, sendo também nutrido pelas teorias da educação de maneira que estas têm importância na formação docente, dotando os sujeitos de pontos de vista variados para uma ação contextualizada, oferecendo perspectivas de análise para que os professores compreendam os contextos históricos, sociais, culturais, organizacionais de si como profissionais. (PIMENTA, 2002, p. 9).

 

Mediante os dados citados, observou-se ainda que os professores, em geral, sentem a necessidade de um embasamento teórico mais consistente, para nortear sua prática, principalmente no tocante aos conhecimentos concernentes, a Deficiência Auditiva e aos sujeitos com NEE.

Diante as áreas apontadas como mais necessárias, evidenciaram-se, a falta de apoio extra-sala, da coordenação de educação especial do estado e município, em auxiliá-los em seus trabalhos com os alunos com NEE, tanto nas metodologias e didáticas a serem desenvolvidas no contexto escolar.

Segundo as respostas obtidas, “a falta de apoio tanto metodológica como didática”, centralizam-se primordialmente, nas dificuldades da aquisição da Língua de Sinais por parte dos professores. Esse resultado foi atribuído, mas uma vez, ao fato de que esses professores não recebem preparação e o domínio de certos procedimentos educativos, tornam-se essenciais, pois na sala de aula está em suas mãos a contratação do aluno enquanto ser histórico. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) pressupõe que se realize a adaptação do currículo regular, para suprimir objetivos e conteúdos curriculares que não possam ser alcançados pelo aluno em razão de sua(s) deficiência(s), substituí-los por objetivos e conteúdos acessíveis, significativos e básicos para o aluno. (BRASIL, 1999, p. 49-50).

É importante salientar que a educação esteja em seu conteúdo e em seus métodos, adaptada ao fim que se persegue: permitir ao homem chegar a ser sujeito, construir-se como pessoa, transformar o mundo e estabelecer com os homens relações de reciprocidade, fazer cultura e a história.

Portanto há necessidade de um profissional capacitado e habilitado para lidar com a diversidade, com condições de perceber as NEE’s dos alunos e proporcionar respostas possibilitando assim, o desenvolvimento integral dos educandos. Afirma Pimenta (2002).

Ressalta-se, ainda, que ao falar em metodologia, se faz necessário entendê-la como algo muito mais amplo, que não se limita à ação docente na sala de aula, abrangendo, portanto, questões socioculturais, políticas e econômicas. Sendo assim, repensar as práticas pedagógicas implica envolver, também, nessa reflexão, o Projeto Político-Pedagógico (PPP) da escola, organização curricular, condições de trabalho, formação do professor e a própria valorização desse profissional.

Foram também citadas, através de questionamentos, que os professores são cientes das necessidades dos alunos com deficiência auditiva; O direito de acessar os conhecimentos e estabelecer um diálogo através da Língua de Sinais (LIBRAS), direito assegurado na Declaração de Salamanca e pela Declaração dos Direitos Humanos.

Vale ressaltar, que o paradigma da inclusão passa exigir dos professores, outros conhecimentos além daqueles que receberam nos seus cursos de formação para professores. Significa que para responder às especificidades dos alunos, o docente necessita de uma formação mais ampla, que o instrumentalize com todos os requisitos e aparatos necessários: capacitação, disponibilidade de recursos e apoio técnico, para que promova uma ação pedagógica eficaz.

 

Conclusão

Com a finalidade de averiguar qual a visão dos professores de Educação Especial sobre a inclusão, e de que forma suas práticas pedagógicas estão contribuindo para esse processo, foi realizada uma pesquisa no Instituto Filippo Smaldone, a fim de se aproximar do fenômeno estudado e responder aos objetivos pretendidos.

Por meio da presente pesquisa, constatou-se um nível de conhecimento reduzido, por parte dos docentes, em relação ao processo de inclusão que fundamenta sua ação, ficando suas práticas, na maioria das vezes, à mercê de sua experiência profissional, ou embasada na intuição (aquilo que se acredita que pode dar certo), visto que eles não demonstram ter um conhecimento aprofundado e sistematizado sobre as pessoas com necessidades Educacionais Especiais, incluindo os surdos. Contudo, de modo geral, observa-se que os professores demonstram interesse em melhorar suas ações, tornando-as mais próximas possíveis da escola do ensino regular, para que o processo de inclusão possa acontecer.

Esta pesquisa revela, ainda, um reduzido nível de preparo dos profissionais em termos de comunicação (desconhecimento da LIBRAS), tornando-se necessária uma melhor política de formação e valorização dos educadores, haja vista que a maioria dos nossos alunos são oriundos de família de baixa renda e muitas vezes a escola configura-se no único local de esperança e oportunidade para que eles possam acessar os conhecimentos, participar e intervir no contexto social.

Quanto à perspectiva inclusiva, todos os professores do Instituto Filippo Smaldone, foram categóricos em afirmar que a escola busca ações pedagógicas e recursos, que oportunizem novas metodologias e recursos que viabilizem de forma significativa e concreta, o processo de inclusão, sejam eles: humano, clínico e didático-pedagógico, dando ênfase, sobretudo, ao desenvolvimento da linguagem oral e da Língua de Sinais (LIBRAS), pois a escola visa habilitar e reabilitar o aluno de forma global, procurando atingir todos os aspectos de integração biopsicossocial do ser humano, enquanto agente transformador na sociedade.

 


Referências

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PERRENOUD, Philippe. A prática reflexiva no ofício de professor: profissionalização e razão pedagógica. Porto Alegre: Artmed, 2002.

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SOARES, Maria Aparecida Leite. A Escolarização da Criança Surda e o Professor Especializado. Fórum, Rio de Janeiro, v. 7, p. 11-17. jan./jun. 2003.

VALDÉS, Maria Tereza Moreno et al. Questionário dos Professores de Educação Especial. Grupo de Pesquisa em Educação Especial. Universidade Estadual do Ceará. Fortaleza: UECE, 2004.

[1] Especialista em Educação Inclusiva (UECE – Univ. Estadual do Ceará); Especialista em Psicopedagogia Institucional e Clínica; Graduada em Pedagogia (UVA – Universidade Estadual Vale do Acaraú); Profª. do Instituto de Educação do Ceará – IEC, no Curso de Formação Continuada de Professores em Educação Especial. Correio eletrônico: <soniareginasds@hotmail.com>

[2] Doutorada em Ciências Pedagógicas; Especialista em Psicologia Clínica; Graduada em Psicologia – (Universidade Central de Las Villas – Havana – Cuba); Correio eletrônico: <maitemoreno19@yahoo.es>

SONIA REGINA

Graduada em PEDAGOGIA pela Universidade Estadual Vale do Acaraú e em ARTE EDUCAÇÃO pela Faculdade Integrada da Grande Fortaleza. Especialista em Educação Inclusiva e Psicopedagogia, mestranda em Ciências da Educação e Inovação Pedagógica, pela UMA- Universidade da Madeira-Portugal. Professora do AEE - Atendimento Educacional Especializado e de Cursos de Graduação e Pós-graduação presencial e a distância.



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