FORMAÇÃO INCLUSIVA DOCENTE

1  INTRODUÇÃO

A educação inclusiva é um dos temas mais debatidos nas escolas de ensino regular. Ela se constitui de um verdadeiro desafio para o corpo docente que ainda carece de capacitação e preparo para lidar com essa realidade cada dia mais constante.

A Constituição Brasileira de 1988 em seus artigos 205, 206 e 208, determina a igualdade de acesso e condições para a permanência do aluno no ambiente escolar visando também aqueles portadores de necessidades educacionais especiais.

Os processos de aprendizagem devem ser baseados em relações mediadoras das bases do conhecimento, através de propostas (ações, linguagens, dispositivos, representações) que visem potencializar a capacidade interativa das pessoas (VYGOTSKY, 1997).

A formação continuada do corpo docente é imprescindível para que a educação inclusiva seja uma rotina diária no ambiente educacional, sempre com o objetivo de preparar o discente para exercer sua cidadania e sua capacidade para atuar no mercado de trabalho.

Nesse artigo, serão apresentadas bases teóricas que reforçam a ideia de que a formação inclusiva é um item essencial para a capacitação docente, afim de suprir as exigências da Constituição Federal e assegurar aos alunos seu pleno desenvolvimento sem desigualdades.

 

2  DESENVOLVIMENTO

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

I – Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;

Art. 208. O dever do Estado com a Educação será efetivado mediante a garantia de:

III – atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino;

Os artigos acima, determinam que a educação é dever do Estado e um direito de todos, independentemente de sua condição. O espaço educacional é um dos principais locais para a formação do cidadão e permitir o acesso a todos se faz indispensável.

Durante muito tempo, os alunos portadores de necessidades educacionais especiais eram vistos como alunos “problemas”, com mal comportamento e tidos como “burros” pelos professores. Tal realidade dificultava a inclusão desses alunos nos processos de ensino-aprendizagem, uma vez que o corpo docente não estava preparado para entender a realidade desse aluno e incluí-lo nas práticas educacionais. Por isso, eram comuns as salas dos alunos tidos como “fortes” e a dos “fracos”. Tais rótulos não levavam em consideração uma série de fatores determinantes para o bom desempenho escolar dos alunos.

Segundo Bourdieu (1999), sociólogo francês, os estudantes são diferentes em vários contextos, desde sociais a culturais. Enxergá-los como uma massa homogênea constitui-se um erro.

Há uma deficiência de muitos docentes no que diz respeito aos processos inclusivos educacionais e constitui um dos grandes obstáculos para obtermos de fato uma educação inclusiva efetiva. Segundo Alves (2009):

“…o importante não é só capacitar o professor, mas também toda equipe de funcionários desta escola, já que o indivíduo não estará apenas dentro de sala de aula. […] Alguém tem por obrigação treinar estes profissionais. Não adiante cobrar sem dar subsídios suficientes para uma boa adaptação deste indivíduo na escola. Esta preparação, com todos os profissionais serve para promover o progresso no sentido do estabelecimento de escolas inclusivas”

(ALVES, 2009, p.45,46).

Muitos professores costumam ter as mesmas queixas: “Não sei lidar com alunos desse tipo…” ou: “Como dar aula para os alunos “normais” e ao mesmo tempo dar atenção para os que possuem necessidades especiais sem atrasar a minha matéria? ”

Muito se cobra da equipe docente para que o processo inclusivo seja de fato realizado com sucesso. No entanto, não basta apenas depositar toda a responsabilidade sobre o docente. A educação inclusiva é um conjunto de fatores determinantes para seu sucesso. Incluir não é apenas inserir o discente portador de necessidades educacionais especiais em um meio escolar regular, mas oferecer condições para sua total adaptação. Segundo GOTTI (2002):

“Incluir não significa simplesmente colocar o estudante junto com outros ditos normais, mas reestruturar o sistema educacional para que as crianças especiais sejam atendidas nas suas especificidades e peculiaridades (GOTTI, 2002, p. 9).

O mais importante em todo o processo de inclusão é ter em mente que as práticas pedagógicas devem ser planejadas levando em consideração todos os elementos necessários para seu êxito. E para isso, preparar a equipe docente com capacitação contínua define-se em um dos pilares do sucesso dessa iniciativa. A constante atualização, por meio de palestras, seminários e cursos sobre o assunto irá proporcionar ao corpo docente um melhor preparo para acolher e adaptar-se a essa nova realidade que encontramos no dia-dia.  

 

3  CONCLUSÃO

No processo de inclusão educacional, o papel do docente é imprescindível. Estar cada vez mais integrado com essa realidade irá facilitar sua adaptação a esse novo cenário cada vez mais constante.

O papel da equipe pedagógica (assistentes de coordenação, direção e coordenadores) também é crucial para uma efetiva inclusão do aluno portador de necessidade educacional especial. Ignorar que esse cenário irá se tornar uma constante na vida educacional é ir contra o próprio processo educacional em si.

Quando analisamos que algumas instituições de ensino passam por dificuldades na adaptação do processo de educação inclusiva, muitas vezes vemos que tais problemas são ensejados por uma falta de preparo e capacitação da equipe docente, falta de orientação e treinamento para lidar com as diversas situações que o processo em si pode oferecer. Tal ausência de preparo pode levar a conflitos e problemas em sala de aula entre os alunos e pais, que exigem da instituição de ensino as competências necessárias para estarem mediando tais situações.

Por isso as escolas devem oferecer à sua equipe pedagógica a estrutura necessária para possamos assim diminuir e erradicar de vez as desigualdades nos processos de ensino-aprendizagem.

 

REFERÊNCIAS

MIRANDA, T. G.; Galvão Filho, T. A. (Org.) O professor e a educação inclusiva: formação, práticas e lugares. Salvador: EDUFBA, 491 p., 2012.

ALVES F. Inclusão: muitos olhares, vários caminhos e um grande desafio. Rio de Janeiro, WAK EDITORA, 2009.

GOTTI, M. de O. Fórum: Surdos e ouvintes juntos. In Revista Nova Escola, ano XVII, nº 152, p. 09.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Elenilton Santos de Andrade



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