Capoeira como difusora da língua portuguesa e fomento de aprendizagem nos códigos e linguagens com valores civilizatórios em uma roupagem científica

DENILSON FIUZA[1]

[1]   Membro da associação ABPN, formado em curso Tecnólogo em Logística e estudante de Educação Física na Universidade Federal de Juiz de Fora, capoeirista profissional formado pela Escola Abada Capoeira, reconhecida pelo MEC como inovação e criatividade na educação básica. Educador sociocultural desenvolvendo atividades na perspectiva de implementação da lei 10639/03 focado nos valores civilizatórios da Capoeira.

O saber popular e o saber científico de acordo com as vivências do profissional empírico quanto ao chão da sala de aula é uma epistemologia a ser fomentada em etapas e limites do conhecimento humano, e o sujeito deve ser indagado no processo cognitivo como um todo.

A capoeira adentra o ambiente escolar com uma função social: trabalhar os valores civilizatórios na construção e emancipação do indivíduo em sua integralidade, com reflexões sobre os saberes das Culturas Africana e Afro-Brasileiras. Neste sentido, por meio deste relato de experiência com a Educação de alunos e alunas em oficinas pedagógicas realizadas no Polo de Educação Integrada-EMPOEINT de Belo Horizonte/MG, pretende-se discutir as possibilidades que a Capoeira pode proporcionar enquanto conhecimento e desenvolvimento corporal, cognitivo, sociocultural, afetivo e emocional.

A capoeira desponta-se como jogo, dança e luta, mas principalmente como valores civilizatórios afro-brasileiros, tais como a circularidade, a oralidade, a energia vital, a musicalidade, a ludicidade, a memória, a ancestralidade, o cooperativismo, o comunitarismo, a corporeidade e a religiosidade na formação do sujeito, agregado a escolarização.

O sujeito vivencia integralmente o meio social em que habita, levando para escola saberes obtidos em sua comunidade e compartilhados com o corpo docente da escola. Destarte, por meio deste tirocínio, intenta-se compartilhar saberes em prol da implementação da lei 10.639/03, a partir dos valores civilizatórios intrínsecos à capoeira, integrando às áreas de conhecimento códigos e linguagens do currículo escolar da EMPOEINT.

Estimular e desenvolver a capacidade cognitiva do(a) educando(a) através da musicalização e da capoeira, identificando palavras do saber popular em letras de músicas e o seu significado para que possam compreender sua etimologia e transversalizar para o saber científico, contribuindo assim com educando(a) em suas fases de escolarização, resgatando e valorizando o saber popular, e a cultura originária de matriz africana, interligando os saberes com a Língua Portuguesa e demais áreas do conhecimento.

A capoeira corrobora na compreensão dos direitos humanos no que tange à valorização de todos (as) os(as) educandos(as) em suas especificidades, características, acrisolando-se a Escola. Os Valores Civilizatórios em interface à Educação permeia-se, uma vez que, só é possível o desenvolvimento dos mesmos com o outro, pelo o outro e em favor do outro. Respeitando a história de cada um e cada uma. Histórias diversas que muitas vezes são apagadas pelas várias formas de preconceito.

PALAVRAS CHAVES: CAPOEIRA; ÉTNICO RACIAL; VALORES CIVILIZATÓRIOS; EDUCAÇÃO INTEGRAL

INTRODUÇÃO: EMANCIPAÇÃO DO PROCESSO DE APRENDIZAGEM NO RELATO DE EXPERIÊNCIA

Capoeirista há 28 anos com práticas exercidas em academias, sendo que, meu processo de aprendizagem se deu no quintal de minha casa na cidade de Contagem /MG, aos 6 anos de idade e  não parei mais. Sempre passando por experiências ímpares no contexto da capoeira em vários ambientes, nos quais me preparei para estar em escolas, contribuindo na formação dos educandos, na parte cognitiva e intelectiva com a temática étnico-racial, e a capoeira como instrumento de inovação e criatividade.

Em outro momento da minha experiência como educador nas Escolas Municipais de Belo Horizonte em 2015, comecei uma pesquisa em todas as repartições onde ministrava aulas no chão da sala ou em oficinas de capoeira, para que os professores pudessem participar das reuniões pedagógicas de acordo com as demandas escolares e os(as) alunos/as não ficassem com seus tempos ociosos.

Percebe-se que há uma total desvalorização da cultura popular, e seus fundamentos nos valores civilizatórios da capoeira[1], voltados para conscientização do ensino da história da cultura Afro-brasileira e Africana, evidenciando a realidade da população negra no Brasil e seus processos de emancipação, já que se faz necessária a aplicabilidade da lei[2].

Não obstante a afirmação anterior, meu relato de experiência se deu com o recorte para Educação Inclusiva. Sua publicação foi em 2017, inscrito concurso no Instituto Itard[3] para os melhores artigos com o tema deficiência. Esse relato de experiência não está em consonância com “Pega em minha mão, vem jogar capoeira”:

Primeiro com a Educação Inclusiva, um relato de experiência[4], porque se trata de um projeto pensado para rede municipal de Belo Horizonte, anteriormente a Secretaria Municipal de Educação na implementação do tempo integral nas escolas, fez experiências com a Municipal Em Doutor Jose Diogo de Almeida Magalhães, publicado no DOM [5] e Escola Municipal Monteiro Lobato[6]. Mesmo que há Projeto Pedagógico diferente como a Escola da Serra no Bairro Mangabeiras/BH e em outros estados como em São Paulo, poderíamos tomar como referência a Escola Municipal de Ensino Fundamental Desembargador Amorim Lima ou até mesmo em Portugal onde já acontece há anos a Escola Integral pensada para uma comunidade específica no continente Europeu.

Escola da Ponte foi inovadora nessa percepção de Inédito Viável, mesmo no continente Europeu, a educação sendo um projeto de nação. A inovação da escola integral no Município de Belo Horizonte tem em sua proposta pedagógica conteúdos de conhecimento popular. Confesso que no princípio foi desafiador compreender a proposta, uma vez que, a tradição da capoeira se dá por meio da ancestralidade e tradição, a partir dos valores civilizatórios, e assim, compartilhar os conhecimentos de países africanos com sua pluralidade de riquezas culturais tão heterogêneas, na construção de uma identidade cultural, como afirma Stuart Hall:

Possuir uma identidade cultural nesse sentido é estar primordialmente em contato com um núcleo imutável e atemporal, ligando ao passado o futuro e o presente numa linha ininterrupta. Esse cordão umbilical é o que chamamos de ‘’tradição’’, cujo teste é o de sua fidelidade às origens, sua presença consciente diante de si mesma, sua ‘’autenticidade’’. É, claro, um mito – com todo o potencial real dos mitos denominados de moldar nossos imaginários, influenciar nossas ações, conferir significado às nossas vidas e dar sentido à nossa história. (Hall, 2003)

Com essa identidade construída a partir do multiculturalismo, no qual, advém das sociedades e suas diversidades, de seus cotidianos estabelecendo cláusulas éticas de convívio, isto é, exercendo cidadania e ética com conflitos ou não, erros e acertos, mas com objetivo do bem estar comum entre os pares.

 

DESENVOLVIMENTO: ENTENDENDO A PROPOSTA POLÍTICA PEDAGÓGICA NO CONTEXTO DA CAPOEIRA

A Escola Municipal Polo de Educação Integrada (EMPOEINT) iniciou suas atividades escolares em março de 2018 como um projeto-piloto que, em menos de 6 meses apresenta resultados fantásticos. Os professores passam a ser educadores, e ser educador é trocar experiências com aquele sujeito oriundo das camadas menos favorecidas, bem como saber sobre a realidade nas comunidades onde vivem. Fica notório que a capoeira integrada com as áreas de conhecimento contribuirá na formação dos educandos, resgatando valores ancestrais antes esquecidos.

A interdisciplinaridade é uma metodologia no qual as áreas de conhecimento comunicam entre si, mas só a transdisciplinaridade trabalha outras dimensões importantes como; a maneira que o indivíduo se relaciona com meio onde vive, e interage com a sociedade. E, o planejamento foi feito nessa perspectiva – entender o sujeito e respeitar seus conhecimentos.

Assim esse relato de experiência é uma (re)significação da capoeira na construção de uma identidade. Aplicadas na EMPOEINT por vários motivos, entre eles, a segmentação dos saberes não atende as demandas pedagógicas da comunidade escolar. Parece ser uma dicotomia pelo simples fato da escola fazer parte do município de Belo Horizonte, mas a proposta dos idealizadores do Polo é um com sua aplicabilidade em andamento com o exercício da ética nas reuniões pedagógicas e planejamento coletivo com todas as áreas do conhecimento.

Sugerida nos PCN´s de Educação Física é constatada a importância do ensinamento dos antigos Mestres da Cultura ancestral africana, sendo também uma forma de restringir e mapear onde ela pode ser conteúdo; Ela seria uma das especificidades da Educação Física. Na construção de uma reflexão sobre o posicionamento da capoeira, entende-se entre outras vertentes de reconhecimento, a Inovação e a Criatividade na Educação Básica[7] pelo Ministério da Educação. Ela é elo com toda possibilidades de formação e escolarização, como afirma Gonçalves:

Frente a essa análise sobre a importância do corpo e da corporeidade no jogo da capoeira, seja Angola ou Regional, como compreender a inserção da capoeira como conteúdo da Educação Física, conforme a tentativa da Lei 9696/98? O que significaria escolarizar a capoeira, engessando-a dentro de uma determinada área do conhecimento, minimizando seus valores culturais e seus processos de ensino/aprendizagens que são constantes.[8]

Nota-se que houve evolução da capoeira de acordo com as demandas da sociedade, sendo assim  justificada a presença do Educador Popular na educação Integral, devido à heterogeneidade de conhecimento dos educandos e com essa diversidade transversalizar os conhecimentos em todas as áreas de conhecimento, rejeitando a neutralidade política como podemos conferir:

“O mito da neutralidade da educação, que leva à negação da natureza política do processo educativo e a tomá -lo como um quefazer puro, em que nos engajamos a serviço da humanidade entendida como uma abstração, é o ponto de partida para compreendermos as diferenças fundamentais entre uma prática ingênua, uma prática “astuta” e outra critica.Do ponto de vista critico, é tão impossível negar a natureza política do processo educativo quanto negar o caráter educativo do ato político. Isto não significa, porém, que a natureza política do processo educativo e o caráter educativo do ato político esgotem a compreensão daquele processo e deste ato. Isto significa ser impossível, de um lado, como já salientei, uma educação neutra, que se diga a serviço da humanidade, dos seres humanos em geral; de outro, uma prática política esvaziada de significação educativa. Neste sentido é que todo partido político é sempre educador e, como tal, sua proposta política vai ganhando carne ou não na relação entre os atos de denunciar e de anunciar. Mas é neste sentido também que, tanto no caso do processo educativo quanto no do ato político, uma das questões fundamentais seja a clareza em torno de a favor de quem e do quê, portanto contra quem e contra o quê, fazemos a educação e de a favor de quem e do quê, portanto contra quem e contra o quê, desenvolvemos a atividade política.” [9]

Trazendo-nos a reflexão sobre a importância do ser humano em todo o seu âmbito, esse relato de experiência do capoeirista em Oficinas que acontecem na EMPOEINT, integrado às áreas de conhecimento do saber popular, na formação do sujeito, em uma construção crítico emancipatório, vai em busca da autonomia com supervisão pedagógica colocando-os na mediação e/ou em situação de relatar a si mesmo, como afirma Butler:

Embora a teoria social do reconhecimento insista no papel das normas quando se trata de construir a inteligibilidade do sujeito, nós entramos em contato com elas principalmente por meio de trocas imediatas e vitais, nos modos pelos quais nos interpelam e nos pedem para responder à pergunta sobre quem somos e qual deveria ser nossa relação com os outros. Dado que essas normas agem sobre nós no contexto de interpelação, o problema da singularidade pode servir como ponto de partida para entender as ocasiões específicas de interpelação pelas quais nos apropriamos dessas normas numa moral viva. (BUTLTER, 2015)

O sujeito aprende capoeira como um todo, esse processo de autonomia na construção da emancipação faz analogia com Códigos e Linguagens que se compõe de Arte, Educação Física, Inglês e Português. Pensado para todas as áreas de conhecimento, inclusão e EJA. O sujeito que adentra a escola vem com suas vivências, a cultura e sua riqueza, como valor agregado na escolarização do indivíduo, no que tange a área da aptidão em cenários norteadores, é provocação Para além do pensamento[10].

Dessa forma, faz sentido o eixo integrador na proposta pedagógica do Polo de Educação Integrada. Mesmo que não atinjamos o objetivo nesse começo, mas se tem o sujeito na parte central da mandala, e de todo o processo de construção do conhecimento. É com esses saberes provenientes dos valores civilizatórios da capoeira e do meio onde vivem que podemos justificar o porquê do seu valor, já que, a riqueza da construção do conhecimento se mescla, e nesse sentido, o saber como um todo, ou seja, não sendo segmentado é valorizado como reitera Boaventura:

Como ecologia de saberes, o pensamento pós-abissal tem como premissa a ideia da diversidade epistemológica do mundo, o reconhecimento da existência de uma pluralidade de formas de conhecimento além do conhecimento científico.48 Isto implica renunciar a qualquer epistemologia geral. Em todo o mundo, não só existem diversas formas de conhecimento da matéria, sociedade,vida e espírito, como também muitos e diversos conceitos sobre o que conta como conhecimento e os critérios que podem ser usados para validá-lo.(Santos, 2007)

Sendo uma avaliação com visão no aspecto social, valorizando o conhecimento de todos(as)  entendemos que estamos sendo educados também. O Ato da importância de ler com os Valores Civilizatórios da Capoeira no sentido da formação para escolarização acontecem no fomento das atividades específicas da capoeira para a proposta política pedagógica, sem que ela perca sua essência.

A CONTEXTUALIZAÇÃO DOS VALORES CIVILIZATÓRIOS NA SALA DE AULA A PARTIR DA CAPOEIRA

A corporeidade voltada para Matriz Africana, pegamos todos os aspectos metodológicos da capoeira para explicar alguns conhecimentos da Educação Física que, pode ser com uma aula expositiva ou não, ficando a critério do educador e educandos, eles também participam das aulas com decisões importantes nas apresentações. Diligenciamos a memória não só nas aulas de História, mas sim, por toda a Escola.

A musicalidade, religiosidade e oralidade do continente negro nas aulas de capoeira, nas expressões das etimologias das palavras, identificação do aluno pré-silábico, silábico, silábico-alfabético e alfabético. Tudo relatado para as Professoras de Língua Portuguesa.

Em Artes e Inglês trabalhamos a ludicidade, cooperativismo/comunitarismo, energia vital, ancestralidade e circularidade.

Nesse sentido, a capoeira tem importante função nesse ambiente – ela é uma cultura não padronizada na valorização de sua origem, e orgulho de sua crença, e fomento das divergências pedagógicas das visões estereotipadas como um dos gargalos que transcendem os muros das escolas.

Em consonância com o projeto político pedagógico, as áreas de conhecimentos da EMPOEINT trabalham com a escolarização agregando o saber popular no intuito da emancipação nas trocas de saberes. Todavia, a capoeira com códigos e linguagens vem com ação cultural para liberdade[11], porque não é só escola pública que acrescentará conhecimento para os educandos(as), mas sim um conjunto de valores.

O planejamento da aula de capoeira foi construído em comunicação com todas as áreas do conhecimento que permeiam os códigos e linguagens, levando em consideração a importância do ato de Ler[12] estimulando e desenvolvendo a capacidade cognitiva do educando através da musicalização, e assim, identificando palavras do saber popular em letras de música e o seu significado, para que possam compreender sua etimologia na transversalização para o saber científico.

Ajudando assim os(as) educandos(as) nas fases de escolarização, resgatando e valorizando o saber popular e a cultura originária de matriz africana, interligando os saberes com a Língua Portuguesa intrínseca com as práticas de leituras dos vocábulos africanos utilizados na capoeira, seus significados e contribuição no enriquecimento da língua materna, objetivando aos educandos a identificarem-se com a cultura afro e com toda a sua riqueza na formação do povo e cultura brasileira.

Levando-os a assumirem uma identidade, e uma cultura na utilização das novas tecnologias para uma melhor aprendizagem, e integração com o mundo da pesquisa virtual, como meio para interagir e descobrir novas fontes de conhecimento como incremento da aprendizagem. Os valores civilizatórios da capoeira podem proporcionar o conhecimento e desenvolvimento corporal, disciplinar, cognitivo, sócio cultural, afetivo e emocional, para compreender o individuo no processo educacional Integral.

Com o desenvolver das atividades que favoreçam as habilidades inerentes ao exercício da cidadania, vamos proporcionar aos educandos(as) refletir sobre a história da capoeira, suas origens e sofrimentos dos nossos ancestrais, e a manutenção da capoeira como patrimônio imaterial da humanidade sem parcialidade.

Além das aulas rotineiras de capoeira a todo momento ressignificada, o convite da equipe de professores de códigos e linguagens para auxiliá-los através da capoeira no resgate de valores sem perder sua matriz afro-brasileira, aulas para os alunos/as auxiliando-os no aprendizado da cultura; educando, formando e escolarizando, quebrando o olhar desconfiado e estereotipado da cultura africana.

Consolidando o trabalho em conjunto porque somos todos educadores e esse trabalho integrado se dá na horizontal (um precisa do outro) e assim se efetiva a educação, sempre no plural, numa relação de confiança levando em consideração a história de cada um e repensando nossas práticas pedagógicas. Notou-se a importância da roda da capoeira.

O intercâmbio; atendendo a estudantes de outras escolas que têm oficinas diversas.  As vivências educativas no Polo de Educação Integrada é uma socialização dos estudantes de outras escolas do entorno. Os elementos básicos e aspectos metodológicos do ensino da capoeira na contextualização dos valores civilizatórios oriundos da matriz africana e afro-brasileira são fundamentos ritualísticos, musicais e formas de jogo como histórico na evolução da capoeira que acompanha as demandas da sociedade sem perder sua essência.

PROJETO, HINO NACIONAL RECITADO INTEGRANDO O ERUDITO COM POPULAR

O projeto iniciou-se com a sugestão da diretoria da Escola com um olhar atento à riqueza de cultura com tantos profissionais qualificados em uma mesma escola, pensaram em uma apresentação do Hino Nacional diferente, envolvendo todos os estudantes que quisessem participar. Na reunião conduzida pela nossa Coordenadora Pedagógica, foi apresentado o desejo da escola cabendo aos Educadores a execução da proposta. Coube à Professora/Educadora Luiza conduzir o projeto de recitação do hino nacional.

A sensibilidade da profissional possibilitou o improviso do popular com o recorte para Capoeira na introdução solo do berimbau com toque de angola seguido do toque amazonas em harmonia com educando recitando o Hino, e logo após o coro. Essa iniciativa possibilitou várias apresentações e propiciou aos estudantes vivências únicas dentro e fora da escola.

Entre as apresentações destaco o convite da Abertura da mesa permanente de discussão sobre a Convivência Escolar na Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte, Pré-conferência da Regional Barreiro com abertura do Hino Nacional recitado, e participação na semana de artes e cultura. Idealizado e produzido pela Professora de Artes, Luciana de Souza Matias[13] da Escola Municipal Professora Maria Mazzarello.

Outros ensaios já finalizados que serão apresentados no final do ano uma música de capoeira cantada pelos educandos em Inglês. Na percepção dos Mestres antigos da capoeira; recomendam que toda pessoa que aprender a capoeira – deve ensiná-la em português para entender e respeitar em nosso idioma e história de luta e valorização da cultura afro-brasileira.

Esse projeto foi desenvolvido pelos Professores e Educadores, Baltazar Nunes de Sousa[14],  responsável pelas aulas de Inglês na EMPOEINT, e Luiza Graciolly Silva[15], em consonância com a capoeira – pretende-se com o projeto o ensino de língua estrangeira em companhia do erudito e da capoeira. Parece não fazer sentido pelo fato do erudito ser conhecimento de cunho acadêmico, não faz parte das camadas populares! Assim construímos uma relação de confiança com os educandos, aprendemos o inglês mesmo com os gargalos do dia a dia por se tratar de Escola Pública.

Os ensaios acontecem no momento da conexão dos saberes, os educandos além de cantarem a música de capoeira em inglês têm contato com o piando clássico, o violão, instrumentos de percussão da capoeira como; agogô, pandeiro, atabaque, berimbaus e reco-reco.

Na EJA, o conhecimento desponta-se muitas vezes de maneira expositiva, isto mesmo, com a utilização do quadro para atender as diversas faixas etárias concomitante com as aulas práticas. É importante entender que, a roda da capoeira é somente um dos meios de aprendizagem dessa arte e assim as aulas podem a todo momento serem modificadas, adaptadas, indo da expositiva à prática e/ou até mesmo dialogadas.

Entre as várias possibilidades de aprendizagem da matemática, a Professora/Educadora Gláucia Aparecida Vieira[16], sugeriu a adoção de jogos matemáticos africanos para os educandos com dificuldade de aprendizagem.

Mais uma comprovação da importância do trabalho em conjunto, agregando conhecimento escolarizado com a formação social dos educadores Bárbara Cristina da Silva Godinho; formada em jornalismo e responsável pela vivência educativa Fotografia e vídeo e Anderson de Jesus; Graduando em Pedagogia na UEMG, referência na Educação Ambiental e Aline Martinez agente de Informática.

Ajudando-os na noção espacial e aumento da capacidade cognitiva e da pluralidade de valores, viabilizando o aprendizado da matemática, na reflexão, no questionamento e interpretação, no intelecto em caráter popular, conforme afirma Hall:

A cultura carrega essa ressonância afirmativa por causa do peso da palavra ‘’popular’’. E, em certo sentido, a cultura popular tem sempre sua base em experiências, prazeres, memórias e traduções do povo. Ela tem ligações com as esperanças e aspirações locais, tragédias e cenários locais que são práticas e experiências cotidianas de pessoas comuns (Hall,2003)

 O conhecimento popular é comprovado com a cultura ancestral, sendo justificado de forma científica com as teorias já comprovadas. Mas o popular não tem sua valorização de fato em todas as escolas. A lei 10 639/03 fez 15 anos em 2018 e está intrínseca na Proposta Política Pedagógica da EMPOEINT com formações constantes para todos os educadores auxiliando-os nas intervenções pedagógicas.

CONCLUSÃO

Considerando a proposta política pedagógica, o Polo de educação Integrada vai de encontro a normalidade – ela é uma aposta de educação considerando o tempo e aprendizagem dos educandos, sendo justificada a presença do educador popular nas escolas públicas que deparam com alunos desafiadores no cotidiano, vendo a escola como uma válvula de escape para sair de uma rotina de competição do meio onde vivem.

Há grandes desafios a superar que geram conflitos nas reuniões pedagógicas, ainda que, esses fatos são recorrentes em nosso convívio. Os desafios a discutir são os problemas inéditos oriundos do lugar de fala do sujeito no ambiente escolar almejando a equidade. Os alunos insurgentes veem a Escola como um centro comunitário.

Por isso é pertinente afirmar a necessidade de mudança de rota na escolarização a todo momento e pesquisa na perspectiva de ganhar essas meninas e meninos fazendo o Professor Educador (re)significar suas práticas pedagógicas, não colocando o sujeito como responsável pela inviabilidade dos métodos e suas metodologias que é proposto e (cada aluno apresenta uma dificuldade de aprendizagem e não valoriza a escola como local de formação e escolarização).

Parece ser um paradoxo quando abordo o tema empírico, mas até quando vamos colocar a culpa nos educandos quando fracassamos? O chão da sala de aula é sentimento, e escolher ser educador é ter afinidade com as áreas do conhecimento e não ter uma percepção errônea e ególatra.

A função do Professor é ter no consciente e subconsciente o significado da palavra educador com o objetivo de salvar aquele que, não percebe que a escola é um conjunto de valores voltados para heterogeneidade, é a última barreira que temos para contribuir com o desenvolvimento intelectual, na tentativa de diminuir as desigualdades sociais.

E isso não quer dizer que não se valorize os conteúdos formais, isto é, temos o olhar social e sempre nós indagamos, e a título de exemplo, fazemos a seguinte observação: – o que a revolução francesa tem em comum com a realidade desses alunos e alunas? Porque tenho que aprender da forma tradicional em uma sala com as portas fechadas, conteúdos que nem sempre acrescentarão algo no meu dia a dia, sendo que temos um campo de basebol, auditório, biblioteca, salão dos saberes, sala da coordenação, mesas ao ar livre, excursões aos circuitos do território negro; museu do futebol, expressões geométricas do local e sua historicidade com recorte para antiga FEBEM e “Patrimônio Cultural e História Local’’[17]

REGISTROS ICONOGRÁFICOS:

[1] Aspectos das percepções de pessoas que não aceitavam ser escravizadas no solo brasileiro.

[2] Lei 10.639/ 03 que regulamenta o ensino de história e cultura afro-brasileira inserida nas áreas de conhecimentos que permeiam a emancipação do sujeito e formação dos Professores

[3] Instituição referencia no Brasil na área da Educação Inclusiva nas pesquisas relacionas as diversas deficiências e formações para educadores no contexto de capacitá-los

[4] FIUZA, Denilson. Pega em minha mão, vem jogar capoeira: Primeiras com a Educação Inclusiva – um relato de experiência. In: Instituto Itard – Cursos de Educação Especial. Disponível em: https://institutoitard.com.br/pega-em-minha-maovem-jogar-capoeira-primeiras-vivencias-com-a-educacao-inclusiva-um-relato-de-experiencia/

[5] A Escola Municipal Doutor José Diogo de Almeida Magalhães, que fica na rua Carmo do Rio Claro, 145, no bairro São Cristóvão, atende a 157 crianças na faixa etária de 6 a 9 anos matriculadas no 1º ciclo do ensino fundamental. Os estudantes têm aula em tempo integral, permanecendo mais de dez horas na escola, onde recebem quatro refeições diárias. Além dos conhecimentos formais, os alunos participam de oficinas de capoeira, artesanato, culinária, música, desenho, pintura, dança folclórica entre outras. A reforma da escola promove a melhoria da qualidade do ensino, com espaços mais adequados para a permanência dos alunos, garantindo à comunidade da Pedreira Prado Lopes uma educação integral. As obras executadas incluíram adequação de acessibilidade, com a execução de rampas, instalações de duas plataformas de elevação e guarda-corpo em toda a escola, separação entre o acesso de alunos e veículos econstruções de escada e passarela coberta. Além disso, a escola recebeu a reforma do bloco administrativo, sala para mecanografia e copa, reforma da biblioteca, a troca de todos os pisos das salas de aula e pintura.disponível em: http://portal6.pbh.gov.br/dom/iniciaEdicao.do?method=DetalheArtigo&pk=1063829

[6] Inaugurada em março de 2005, a Escola Municipal Monteiro Lobato, no Bairro São Marcos, visitada e elogiada por representantes da ONU, foi a primeira totalmente concebida para funcionar em tempo integral. No final de outubro,  Godoy visitou as escolas municipais Dom Jaime de Barros Câmara, no Carlos Prates, e Monsenhor Artur de Oliveira, no Caiçara, para conhecer as experiências que professores, educadores e alunos desenvolvem no Programa. Entre os dias 3 e 7 deste mês, ele acompanhou ainda os trabalhos do VIII Fórum de Educação Integral, realizado pela prefeitura de Belo Horizonte.Godoy visitou as escolas municipais Dom Jaime de Barros Câmara, no Carlos Prates, e Monsenhor Artur de Oliveira, no Caiçara, para conhecer as experiências que professores, educadores e alunos desenvolvem no Programa. Entre os dias 3 e 7 deste mês, ele acompanhou ainda os trabalhos do VIII Fórum de Educação Integral, realizado pela prefeitura de Belo Horizonte. Disponível em: https://www.cmbh.mg.gov.br/comunica%C3%A7%C3%A3o/not%C3%ADcias/2015/11/avalia%C3%A7%C3%A3o-e-desafios-da-escola-integrada-re%C3%BAnem-especialistas-na-cmbh. Disponível em: https://www.cmbh.mg.gov.br/comunica%C3%A7%C3%A3o/not%C3%ADcias/2015/11/avalia%C3%A7%C3%A3o-e-desafios-da-escola-integrada-re%C3%BAnem-especialistas-na-cmbh.

[7] Reconhecimento do Mec  de uma entidade  sem fins lucrativos  de utilidade Pública. Escola Abadá-Capoeira. Disponível em: http://simec.mec.gov.br/educriativa/detalhe.php?mapid=379 .

[8] GONÇALVES, Alanson M. T. Dissertação referente ao mestrado no contexto Capoeira.  Disponível em : http://www.biblioteca.pucminas.br/teses/Educacao_GoncalvesAMT_1.pdf .

[9] FREIRE, Paulo, 1921 – A importância do ato de ler: em três artigos que se completam / Paulo Freire. – São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1989.(Coleção polêmicas do nosso tempo; 4)

[10] Artigo de Boaventura que aborda as práticas políticas universais com a descovalorização das culturas das camadas populares com a constextualização de que o direito e justiça não caminham lado a lado tornando emergente a emancipação social.

[11]  É um livro de Paulo Freire que retrata a importância da cultura como valor agregado a educação. Esse livro foi um conjunto de escritas de 1968 a 1974 com outras escritas.

[12] Livro de Paulo Freire frisando a importância de leitura do mundo como um todo.

[13] Possui graduação em Licenciatura em Educação Artística pela Universidade do Estado de Minas Gerais (2002). Pós Graduada em Educação Empreendedora pela Universidade Federal de São João Del rei/ MG. Pós Graduada em Artes Visuais pela Univesidade Federal de Minas Gerais. Pós Graduanda em Estudos Africanos e Afro Brasileiros pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Pós Graduanda em Mìdias na Educação pela Universidade Federal de São João Del Rei/ MG. Graduanda em Pedagogia pelo Instituto Coimbra. È Professora de Educação Básica – artes da Escola Municipal Otacir Nunes dos Santos em Contagem/MG. È Professora de Educação Básica – artes da Escola Municipal Professora Maria Mazarello em Belo Horizonte/MG. Mentora e Coordenadora do Projeto Cirandarte- Teatro de Rua -Arte e Cultura Popular. Mentora e Coordenadora do Projeto Experiências com o Cinema Na Escola .Mentora e Coordenadora do Projeto Cine Clube Curta Na Sexta. Mentora e Coordenadora do Projeto Africanidades Mineiras. Mentora e Coordenadora do Projeto Semana de Arte e Cultura. Atuou como representate nos Fóruns de Educação e Diversidade Etnicorracial Ministério de Educação Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Disponível em: http://lattes.cnpq.br/.

[14] Licenciado em Letras pela Puc Minas ,pós-graduado em  EJA pelo CEFET/MG e em Gênero e diversidade na Escola pela UFMG e Pós -graduando em Educação, diversidade e intersetorialidade pela UFMG/MG. Baltazar.souza@edu.pbh.gov.br

[15] Luiza Graciolly Z. Silva – Pianista Licenciada em Música pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Graduanda em Pedagogia – Estácio de Sá. E-mail: luiza.graciolly@gmail.com

[16] Mestre em Educação Matemática pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (2014). Especialista em Educação Matemática pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (2008). Graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (2003). Licenciada em Matemática pelo Instituto Newton Paiva Ferreira (1993). Gestora da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais em 2015 e 2016. Gestora da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte entre 2009 e 2014. Professora de Matemática da Educação Básica desde 1990. Disponível  em: http://lattes.cnpq.br/.

[17] SANTOS, Anderson C. Patrimônio Cultural e História Local. Disponível em: http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/handle/1843/BUOS-

Denilson Fiuza