Modelos de Aprendizado e sua Relação com Necessidades Educacionais Especiais

modelos de aprendizagem

As pessoas aprendem de maneiras diferentes. Algumas aprendem melhor vendo, outras ouvindo, algumas até pelo toque. Saber em quais modelos de aprendizado nos encaixamos melhor ajuda a aprender e lembrar coisas novas. Saber qual o melhor modelo de aprendizado do seu aluno com deficiência é fundamental.

Existem três modelos básicos de aprendizado:

  • Auditivo (ouvindo a informação)
  • Visual (vendo a informação)
  • Cinestésico ou Tático-Motor (tocando, participando)

Quando pais ou professores aprendem qual o modelo de aprendizado ideal de seus filhos e alunos eles podem ajudá-lo a aprender mais efetivamente. Importante também é saber o quanto você mesmo se encaixa em cada modelo.

Os pais normalmente ensinam da forma que gostam de aprender, que pode ser diferente da forma ideal para a criança. Isso pode der frustrante tanto para os pais quanto para criança. Por exemplo, imagine que você aprende muito bem ouvindo e tenta explicar futebol verbalmente para seu filho que é mais visual e realmente precisa ver as jogadas para entender!

Apesar de termos modelos de aprender que são ideais para nós, ainda podemos aprender de outras maneiras. As pessoas têm variações nos níveis de preferência de cada modelo – alguns são altamente auditivos, outros altamente visuais, alguns altamente táteis, enquanto outros aparentam uma preferência moderada por todos os três tipos de aprendizado.

Agora imagine que uma criança com deficiência visual, por exemplo, terá suas opções de aprendizagem limitadas por causa da deficiência. Essa criança deverá ser encorajada a explorar seus outros sentidos ao máximo: audição e tato. Você ficaria surpreso ao ver uma pessoa cega ouvir um audio-book na velocidade rápida e entender tudo o que for dito (saiba mais sobre isso na aula de Dosvox).

Em qualquer idade, seu filho ou aluno irá aprender com mais facilidade usando seu modelo de aprendizagem ideal, mas isso não significa que ele não pode e não vai aprender de outras formas. Na verdade, ele deve ser encorajado a usar e melhorar todas as formas de aprendizagem.

Quanto mais sentidos nós usamos para aprender alguma coisa mais informação absorvemos! Uma boa diretriz é permitir que seu filho ou aluno use seu modelo de aprendizagem ideal para aprender informações essenciais (ex.: segurança no trânsito), e que pratique os outros modelos com coisas que não são tão importantes (ex.: as palavras das músicas que você canta no carro).

Aprendizado baseado nos interesses

Quem aprende ouvindo vai gostar de ouvir as músicas gravadas; quem aprende vendo vai gostar de ler as palavras enquanto as escuta sendo cantadas; quem aprende de forma cinestésica vai gostar de dançar ou atuar de acordo com a música.

Interessante prestar atenção ao que seu filho ou aluno tem mais interesse. Teve um caso de uma mãe de criança autista não verbal encontrar a solução para estabelecer a comunicação com seu filho através de orcas (sim, o animal). Assista ao filme baseado em fatos reais “O Farol das Orcas” (tem na Netflix).

Eu, Leandro, em minhas pesquisas para ensino de crianças com deficiência, descobri que duas coisas são fundamentais: a Análise e a Empatia. É justamente disso que estamos falando aqui: aprendizado baseado nos interesses. Para saber os interesses do seu aluno você precisará conhecê-lo profundamente (Análise) e estabelecer uma afetividade com ele (Empatia), só assim ele confiará em você e aceitará sua informação. Essa informação deverá estar personalizada de acordo com os interesses pessoais do aluno. Isso é extremamente importante e vou falar mais sobre isso em outros posts.

Quando a criança é pequena

Todas as crianças pequenas aprendem de forma cinestésica (tátil-motor). Bebês colocam tudo na boca e usam o tato para explorar seu mundo. Preferências pelos modelos visuais e auditivas podem surgir depois. As escolas tradicionalmente usam métodos visuais e auditivos para ensinar, principalmente em séries mais altas. As crianças que aprendem fácil através desses métodos normalmente tem sucesso na escola, enquanto as crianças que aprendem de forma tátil-motora costumam ter dificuldade na escola. Nossa grande maioria – não apenas crianças – aprende melhor quando está ativamente envolvido em nosso próprio aprendizado.

Obviamente, todas as experiências futuras de aprendizado são afetadas pelas primeiras experiências, que temos na primeira infância. Se forem positivas e satisfatórias a fundação é formada para uma vida de entusiasmo em relação a aprendizagem. Ter atenção aos modelos de aprendizado quando as crianças ainda são pequenas vão ajudar a fazer com que aprender seja positivo e agradável. Por exemplo, uma pessoa que aprende melhor vendo e precisa se lembrar de uma informação passada em uma palestra (modelo auditivo) sabe que vai precisar fazer anotações, esquemas ou ler um livro sobre o assunto para reforçar o conteúdo da palestra.

DICA: Observe sua criança brincar. Ela já demonstra uma inclinação par algum modelo de aprendizado? Lembre-se de que crianças pequenas ainda estão se desenvolvendo e em sua maioria são muito táteis – elas querem e precisam estar ativamente envolvidas para conseguir entender as coisas. Tente fazer com que sua criança tenha várias oportunidades de usar todos os tipos de aprendizagem para que possa desenvolver seu potencial máximo.

Qual seu modelo de aprendizado ideal?

Observe as listas a seguir, elas contêm alguns comportamentos comuns encontrados em pessoas que se encaixam em cada modelo de aprendizado. Qual você acha que é sua forma ideal de aprender?

Modelo Auditivo:

  • Gostam de discussões verbais
  • Precisam falar em voz alta para memorizar algo
  • Precisam que as coisas sejam verbalmente explicadas
  • Tem dificuldade com instruções escritas
  • Falam sozinhos quando estão aprendendo algo novo
  • Repetem um número de telefone para memorizá-lo

Modelo Visual:

  • Lembram de detalhes visuais
  • Preferem ver o que estão aprendendo
  • Gostam de ter papel e lápis perto
  • “Rabiscam” enquanto estão ouvindo
  • Tem dificuldade de acompanhar palestras
  • Gostam de escrever instruções ou números de telefone

Modelo Cinestésico:

  • Preferem realizar atividades
  • Gostam de realmente fazer o que está sendo falado ou aprendido
  • Gostam de se mover enquanto estão ouvindo ou falando
  • Costumam gesticular
  • Gostam de tocar as coisas quando aprendem sobre elas
  • Lembram “quem fez o que” ao invés de “quem disse o que”

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Tradução: Sarah Bezerra
Adaptação: Leandro Rodrigues
Fonte: Understanding Learning Styles – Canadian Child Care Federation

Leandro Rodrigues

Eu sou Leandro e acredito que as pessoas podem evoluir muito além dos rótulos, estigmas e preconceitos. Todos podem aprender. Esp. em Educação, Diversidade e Inclusão Social. Formação inicial em Ciência da Computação. Fundador do Instituto Itard e criador do curso Adaptando Atividades para Alunos com Deficiência.

63 thoughts on “Modelos de Aprendizado e sua Relação com Necessidades Educacionais Especiais

  1. julianafilgpedagogico says:

    Bem legal!Explica de forma simples e direta. Gostaria de sugestões de atividades, meu aluno é não verbal e com pouquíssimas habilidades motoras.

  2. clelio-goncalves says:

    Ola amo as suas sugestões de atividades com alunos com necessidades especiais. Sou muito grato por tudo. Continue enviando modelos de atividades adaptadas trabalhos prontos enfim…
    Agradeço.
    Clelio

  3. biaggiesplendor says:

    Parabéns Leandro!!! Gosto muito do conteúdo de suas postagens; com uma linguagem simples e exemplos, faz com que a gente se sinta confiante e estimulado. Obrigada.

  4. Magali says:

    Bom dia Pessoal.

    Então Leandro, estou adorando suas postagens, não trabalho diretamente com Alunos, mas sou de equipe Pedagógica e dou apoio Técnico no PSSAI – PROGRAMA SESI SENAI NA ÁREA DE INCLUSÃO em Santa Catarina. Preciso aprender muito, e venho aprendendo a cada dia. Obrigada pela iniciativa.

    • Elizabete says:

      Estou na área da educação especial a 20 anos, mas sempre buscando novos saberes. Estou acompanhando suas ótimas instruções, e a cada dia me apaixono mais.
      Muito grata !!

  5. Elizabete says:

    Estou na área da educação especial a 20 anos, mas sempre buscando novos saberes. Estou acompanhando suas ótimas instruções, e a cada dia me apaixono mais.
    Muito grata !!

  6. MARIA Ivoneide Neris Alves says:

    Estou amanda cada aula,sugestões. Quero agradecer ao Leandro e ITARD…Desenvolvendo autonomia…teoria e prática…Estou me identificando com cada aprendizado…esclarecedor

  7. Divina das Grças Oliviera says:

    Sua publicação foi bem Útil para minha elaboração de atividades.estou aguardando se possível modelos de atividades e plano de aula.

  8. CLAUDIA says:

    Bom dia! Excelente publicação, quando reconhecemos a forma de aprender dos nossos alunos, fica mais fácil o processo de ensino aprendizado!

  9. Nize Mafalda says:

    Seus textos sempre são muito oportunos. Nesse caso, sobre os estilos de aprendizagens, são bastante pertinentes em toda situação de ensino/aprendizagem.

  10. Erivaldina says:

    Olá Leandro,tudo bem? Os materiais que você generosamente publica são muitos ricos. Já estou fazendo a leitura de alguns, mas já me identifiquei com todos . Parabéns em compartilhar esses materiais muito bons que irão me ajudar muito com meus alunos com Necessidades Especiais .Eu sou Pedagoga com Especialização em Educação Especial e inclusiva. No meu município a carência de materiais relacionado a Educação Especial é muito precária.mas eu estou sempre procurando me atualizar .Tenho certeza que com esses materiais postados por você , vou desenvolver um trabalho bem melhor.Muito obrigada!

  11. welany Cavalcante says:

    material excelente e esclarecedor, busco sempre oferecer para meus aluns de sala de AEE atividades com tecnologia assistiva para dar-lhes um apoio maior. ótimo material obrigada

  12. MARIA APARECIDA GOMES ASSUNÇÃO says:

    MATERIAL EXCELENTE,COM INFORMAÇÕES PRECISAS, ESTOU FELIZ E AO MESMO TEMPO GRATA .ESSENCIAL PARA MEU TRABALHO NA SAIA DE RECURSOS. OBRIGADA!

  13. Maria Lucy says:

    Gostei muito, pena que assisti só a metade, não consegui acessar, mas o que, mas o que assistir foi esclarecedor. Sou professora do AEE e tenho dificuldades, mas procuro supera-las. Obrigada vc tem uma oratória de fácil compreensão .

  14. Ana Cristina Cardoso da Silva Reis says:

    Bom dia Leandro! Sou professora de classe regular numa instituição privada e desde o meu estágio no magistério em 1986, que iniciei esse contao com crianças com necessidades educativas especiais. A maioria de cursos e palestras dos quais participei não satisfaziam as necessidades em relação ao currículo e adaptações de atividades, portanto tive que buscar in loco muitas vezes para ressignificar a minha prática e fazer essas crianças avançarem. Ao participar desse curso me deu alívio em constatar que estava no caminho certo. Foi MARAVILHOSO!!! Asimplicidade e espontaneidade de toda a equipe foi o diferencial. Parabéns! Me enriqueceu bastante. Continue com os posts.

  15. Fabiana says:

    Sou professora de Educação Especial, apoio na sala de aula, trabalho com uma criança de 8 anos, no terceiro ano e uma adolescente no 7 ano, ambos TA, tenho aprendido muito com seus cursos ou emais, obrigada.

  16. Jaciara Macedo Da Fonseca says:

    Estou aprendendo muito com você. Espero aprender a cada dia para realizar um bom trabalho no meu município. Comecei atuar como psicopedagoga no inicio do ano e logo veio a pandemia. Leandro sinto muita dificuldade ainda.

  17. Jacqueline says:

    Boa noite,muito rico o texto,esclareceu muito do que tenho visto ate agora,desde que comecei a ti acompanhar la da semama do AEE,estou chegando agora na área, ainda crua,mas to adquirindo conhecimento pra praticar e eu também acredito que todos podem aprender.

  18. SANDRA says:

    Cheguei a pouco tempo à Família Itard e estou aprendendo muito com tudo o que é apresentado. Obrigada por proporcionar momentos tão enriquecedores e materiais tão importantes para o aprimoramento de conhecimentos.

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