Ela não era a professora regente. Ainda assim, descobriu que a inclusão também passava pela atividade

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Pessoas adultas organizam anotações e materiais em uma mesa

Ela não era a professora regente. Mesmo assim, quando apareceu a oportunidade de estudar inclusão, a pergunta dela foi muito concreta: fazia sentido investir nisso se não era ela quem respondia pela turma?

No vídeo público da professora Neide, ela relata que conversou com colegas antes de entrar em uma formação e que entendeu uma coisa importante: contribuir com a inclusão não é ficar ao lado de um estudante sem saber para onde a atividade está levando.

Miniatura do vídeo público da professora Neide sobre inclusão

O vídeo pertence ao antigo programa Educação Criacional Inclusiva, uma formação anterior do Instituto Itard. A experiência de Neide não prova efeito universal nem define função profissional. Ela oferece, porém, uma cena útil para a escola: ninguém carrega a inclusão sozinho, e ninguém ajuda bem quando não conhece o objetivo da tarefa.

Apoiar não é ocupar o lugar do aluno

Há uma armadilha comum nas salas inclusivas. O profissional de apoio quer ajudar, a regente quer que o estudante participe, o AEE quer contribuir e a coordenação tenta organizar tudo. Como não houve uma conversa sobre a atividade, alguém acaba explicando de novo, segurando a mão, respondendo ou fazendo pela criança para a aula seguir.

A intenção costuma ser boa. O resultado pode ser uma presença sem participação.

Incluir não é apenas estar no ambiente. É conseguir entrar na atividade e aprender algo dela. Para isso, a pessoa que apoia precisa saber o que o aluno deve compreender, fazer ou comunicar. Sem essa referência, qualquer ajuda parece necessária; com ela, a equipe consegue perguntar se o apoio aproxima o estudante do objetivo ou o afasta dele.

Essa diferença aparece também quando discutimos o colega que responde pelo aluno. A participação desaparece quando o adulto ou o par resolve a tarefa no lugar de quem deveria mostrar seu pensamento.

A atividade precisa ter uma equipe, não um dono solitário

Corresponsabilidade não é dizer que todas as pessoas fazem tudo. A regente continua responsável pelo ensino da turma. O AEE tem atribuições próprias: segundo o Inep, o atendimento é complementar ou suplementar à escolarização e articula o trabalho da classe comum. Apoio e coordenação também atuam de modos diferentes. O ponto deste texto não é redesenhar cargos nem dar uma resposta jurídica sobre funções.

É defender uma conversa pedagógica que antecede a aula: qual é o objetivo? Qual parte desta atividade o estudante precisa realizar? Que condição precisa mudar para que ele consiga participar? Quem acompanha se o apoio funcionou?

Imagine uma proposta de leitura em dupla. Se o objetivo é localizar uma informação no texto, o profissional de apoio não precisa ler e responder pelo estudante. Pode ajudar a tornar o trecho localizável, combinar uma forma de apontar a resposta ou registrar o que ele conseguiu fazer. A equipe preserva o objetivo e muda o percurso que estava bloqueando a participação.

Não há uma fórmula para toda atividade. O que importa é que a ajuda seja visível, discutida e revisável. Toda ajuda precisa ter data para acabar quando ela deixa de aproximar o estudante da autonomia e passa a manter uma dependência.

O limite de uma história

O relato de Neide é uma experiência individual. Não permite concluir que uma formação gera o mesmo percurso para toda profissional, nem que uma única pessoa resolve a organização de uma escola. A mudança que ele ilustra é de perspectiva: quem não é regente também pode precisar compreender a atividade para apoiar inclusão com sentido.

Na minha experiência, essa conversa alivia a professora porque tira dela a obrigação impossível de antecipar tudo sozinha. E dá mais critério para cada pessoa que compõe a equipe. Em vez de “fica com ele”, a orientação passa a ser “vamos garantir que ele participe desta parte e observar o que o apoio muda”.

A posição do Instituto Itard é simples: apoio só é inclusivo quando aproxima o estudante da atividade e quando a equipe sabe qual participação está construindo. A mesma atividade pode pedir contribuições diferentes de regente, AEE, apoio e coordenação — mas precisa ter um objetivo compartilhado.

Leve uma pergunta para a próxima reunião pedagógica: qual parte desta atividade o estudante precisa realizar e quem ajustará condição, apoio e acompanhamento? Ela não resolve tudo, mas impede que a responsabilidade fique jogada no colo de uma pessoa só.

Se você está começando a organizar esse olhar, assista à aula gratuita em que apresento um primeiro método para ler atividade, barreira, apoio e participação.

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Perguntas frequentes

Quem é responsável pela inclusão na escola?
A inclusão exige responsabilidades articuladas. A professora regente responde pelo ensino da turma, enquanto AEE, apoio e coordenação têm atribuições próprias. O ponto comum é conhecer o objetivo da atividade, combinar apoios e acompanhar se a participação do estudante está sendo ampliada.
O profissional de apoio pode fazer a atividade pelo estudante?
O apoio deve aproximar o estudante do objetivo da atividade, e não substituir sua participação. Em uma leitura, por exemplo, pode ajudar a tornar um trecho localizável ou combinar uma forma de resposta. A decisão depende do que a tarefa pretende observar e precisa ser discutida pela equipe.
Um relato de experiência prova que uma formação funciona?
Não. Um relato individual mostra a perspectiva de quem viveu uma experiência, mas não demonstra resultado universal nem substitui evidência de pesquisa. Ele pode abrir uma conversa útil sobre equipe, atividade e apoio quando seus limites são apresentados com clareza.

Fontes consultadas

  1. Profª Neide sobre o Programa de Formação em Educação Criacional Inclusiva — vídeo público do Instituto Itard

    depoimento-publico youtube.com · acesso em 6 de outubro de 2026

  2. Inep — O que é o Atendimento Educacional Especializado (AEE)?

    orgao-publico gov.br · publicado em 29 de maio de 2025 · acesso em 7 de outubro de 2026

Retrato de Leandro Rodrigues sorrindo, de óculos e blazer.

Escrito por

Leandro Rodrigues

Fundador do Instituto Itard e criador do Modelo AEIOU. Há mais de 20 anos adapta atividades e ensina professores a fazer o mesmo — mais de 10 mil profissionais formados, em 6 países. Conheça a história.

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