Como se comunicar com crianças com necessidades especiais
- Atendimento Educacional Especializado
- Educação Inclusiva
Para se comunicar com crianças com necessidades especiais, fale de forma clara, espere a resposta, ofereça escolhas, observe gestos e expressões, use apoio visual quando necessário e respeite qualquer forma funcional de comunicação. A meta é aumentar participação, não forçar um único jeito de falar.
Este post passa a sustentar o pilar de comunicação alternativa com orientações práticas para rotina escolar. Sempre que a fala não for suficiente, a escola deve considerar CAA, tecnologia assistiva e apoio do AEE.
A seguir uma série de dicas para se comunicar com seus alunos com deficiência intelectual, visual, física ou auditiva. Essas dicas são passadas pelo Governo Canadense não só para professores da educação especial, mas para os pais da criança e a população de uma forma geral.
É interessante notar a linha de pensamento na perspectiva da inclusão (que prega a valorização da diferença: todos somos diferentes), ao utilizar a palavra “desafios” no lugar de “deficiências”.
Eles usam “desafios intelectuais” ou “desafios visuais” ao invés de “deficiência intelectual” ou “deficiência visual”. É excelente essa interpretação. Todos temos nossos desafios, nossos bloqueios, nossas dificuldades e barreiras. É isso que nos torna humanos.
Segue a tradução:
Ao descrever uma criança com necessidades especiais tenha certeza de colocar a criança antes da deficiência. Por exemplo, diga “uma criança com dificuldade de aprendizado” ao invés de “um autista com dificuldade de aprendizado”.
Crianças com Desafios Intelectuais
- Fale com as crianças usando palavras simples, mas não palavras infantis.
- Faça pedidos claros e precisos.
- Mantenha-se calmo e esteja pronto para reformular seu pedido de várias maneiras.
- Use exemplos concretos com freqüência.
- Para confirmar se uma criança entendeu sua mensagem discretamente peça para que ela repita.
Crianças com Desafios Visuais
- Fale e aja de forma normal. Evite usar termos que impliquem em visão, como “Olha, vou te mostrar como se faz”.
- Evite usar referências como “aqui” e “lá”. Essas palavras não são referências úteis para uma criança que não enxerga.
- Responda perguntas verbalmente. Movimentos de cabeça e mãos não serão notados. Use suas palavras precisamente, e antes de usar uma frase figurativa tenha certeza que a criança irá entender o significado dentro do contexto.
- Não aumente o volume de sua voz ( a menos que você saiba a partir de um histórico médico que isso irá ajudar com um problema auditivo). Evite pausas longas ao falar.
- Ofereça uma rotina organizada para a criança. Evite fazer as coisas para a criança, mesmo que ela leve mais tempo para fazer do que as outras crianças.
- Sempre deixe que a criança saiba onde você está: diga onde você está em relação a ela e avise quando estiver saindo.
Crianças com Desafios Auditivos
- Fale claramente na sua velocidade e tons normais, articulando cuidadosamente, mas sem exagerar.
- Certifique-se que você tem a atenção da criança antes de começar a falar. Use todas as formas de gestos, expressões faciais, ações e figuras para ajudar a criança a entender a linguagem e gradualmente adquiri-la.
- Verifique freqüentemente para ter certeza que a criança entendeu. Caso ela não tenha entendido reformule sua mensagem, ao invés de apenas repetir.
- Perda de audição pode causar atrasos no desenvolvimento da linguagem e dificuldades para falar. Você pode ter dificuldades de entender uma criança que é surda de nascença. Não tenha medo de pedir que ela se repita. Seu interesse e encorajamento serão motivadores para o sucesso futuro.
- Ao invés de falar pela criança dê a ela várias oportunidades para se expressar.
- Para evitar o preconceito, fale abertamente sobre a deficiência auditiva com seus colegas de classe, e deixe que eles aprendam sobre o aparelho auditivo se for o caso.
- Certifique-se que as outras crianças falem calmamente, com clareza, e um de cada vez.
Crianças com Desafios Físicos
- Encoraje as crianças a expressar suas próprias idéias e sentimentos.
- Encoraje as crianças a aprender os comportamentos adequados para o ambiente.
- Fale com a criança sobre seus desafios. A encoraje a explicar para as outras crianças como ele lida com sua deficiência e quais são seus planos para o futuro.
- Deixe que a criança tome conta de si mesma o máximo possível.
- Permita que a criança opine nas decisões que a afetam, sempre que possível.
- Discuta desafios físicos num geral com todas as crianças. Assim a criança deficiente não se sentirá sozinha.
- Encoraje a criança a inventar suas próprias adaptações, assim eles podem fazer o melhor possível dos materiais e recursos disponíveis.
- Ajude as crianças a concentrar seus esforços em metas realísticas e realizáveis, e direcione suas energias para atividades que eles escolheram como objetivos e prioridades.
Fonte: Canadian Child Care Federation, Ottawa, Ontario – Canadá – Resource Sheet 38 – Título original: Commmunicating with Children who have Special Needs – Disponível em http://www.cccf-fcsge.ca/wp-content/uploads/RS_38-e.pdf, 28/05/2019
Tradução: Sarah Bezerra
Adaptação: Leandro Rodrigues
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Para aprofundar este tema, leia também: comunicação alternativa, atividades para alunos com autismo, tecnologia assistiva na escola, atendimento educacional especializado.
Perguntas frequentes
- Como conversar com uma criança que não fala?
- Observe sinais, ofereça escolhas, use imagens ou objetos, faça perguntas simples e espere tempo suficiente para resposta.
- Devo insistir para a criança falar?
- Não como condição para participar. A fala pode ser estimulada, mas comunicação por gesto, olhar, prancha ou recurso também precisa ser aceita.
- O que fazer quando a criança não responde?
- Reduza a pergunta, mostre opções, dê modelo, espere e verifique se ela entendeu a situação e tem forma acessível de responder.
- Comunicação alternativa serve para crianças que falam pouco?
- Sim. Ela pode complementar a fala e diminuir frustração quando a criança não consegue expressar tudo oralmente.
- Como a família pode ajudar?
- A família informa sinais, preferências, interesses e formas de comunicação que já funcionam em casa.
- Qual é o papel da escola?
- A escola deve criar oportunidades reais de comunicação em aula, recreio, alimentação, rotina e avaliação.