Como fazer uma Avaliação do Desenvolvimento na Educação Inclusiva

Avaliação desenvolvimento é a chave

Quer fazer uma avaliação do desenvolvimento dos alunos da educação inclusiva e do Atendimento Educacional Especializado? Nesse post você verá:

  • O que é Avaliação do Desenvolvimento?
  • O que são marcos do desenvolvimento?
  • As principais áreas do desenvolvimento para avaliar: desenvolvimento motor, linguagem, cognição, socialização e autocuidados.
  • Relação entre o atraso no desenvolvimento e o rendimento escolar.
  • Como definir objetivos educacionais para um aluno com atraso no desenvolvimento.
  • Quem deve fazer a avaliação do desenvolvimento.
  • 5 instrumentos de avaliação do desenvolvimento para você usar.

O objetivo aqui é ajudar você educador a entender a importância da Avaliação do Desenvolvimento para alunos da educação inclusiva e educação especial e qual a relação direta da avaliação do desenvolvimento com a adaptação curricular.

Então vamos lá?

O que é Avaliação do Desenvolvimento?

Basicamente, é quando avaliamos se o aluno atingiu marcos do desenvolvimento, porém essa avaliação precisa conter 2 pontos importantes:

1ª) ser um processo contínuo de acompanhamento da criança

2ª) ser sistematizada por meio de testes e ou escalas

Em outras palavras, é quando verificamos se o aluno atingiu ou não todos os marcos do desenvolvimento esperados para sua atual idade.

Quando o aluno não atingiu alguns marcos do desenvolvimento de acordo com sua idade cronológica, esse aluno provavelmente possui atraso no desenvolvimento.

A idade cronológica nem sempre corresponde à idade de desenvolvimento do aluno.

Mas o que são os marcos do desenvolvimento?

Marcos do desenvolvimento são momentos em que as crianças adquirem novas habilidades que geralmente se enquadram em categorias como capacidades cognitivas, motoras, sociais, emocionais, de linguagem e comunicação.

Então a Avaliação do Desenvolvimento nada mais é do que um processo contínuo de acompanhamento do desenvolvimento, sistematizado por meio de testes ou escalas.

Nesse texto vou te falar sobre como você pode fazer uma avaliação do desenvolvimento dos seus alunos da educação inclusiva e do Atendimento Educacional Especializado.

E até o final vou te apresentar 5 opções de escalas para realizar a avaliação do desenvolvimento de alunos com deficiência na sua escola inclusiva, então fica até o final.

Avaliação do desenvolvimento não fecha diagnóstico

A avaliação do desenvolvimento é como uma avaliação diagnóstica, porém voltada para aspectos desenvolvimentais.

A avaliação diagnóstica educacional é uma ferramenta que ajuda o educador a entender o que seu aluno já aprendeu sobre determinado assunto.

Por exemplo, uma avaliação diagnóstica de matemática irá elucidar o que um aluno aprendeu sobre matemática, ficando mais fácil para o educador entender as necessidades específicas de seu aluno sobre aquela disciplina.

Porém a avaliação do desenvolvimento, por ser uma avaliação diagnóstica voltada para aspectos desenvolvimentais, vamos chamá-la de avaliação diagnóstica pré-acadêmica.

O pré-acadêmico contém aspectos do desenvolvimento que antecedem o conteúdo acadêmico.

Importante também entender que a avaliação do desenvolvimento não possui como finalidade fechar um diagnóstico.

Por mais que uma pessoa apresente atraso no desenvolvimento, esse critério isolado não é determinante para um diagnóstico.

Só quem faz diagnóstico é o profissional da saúde: psicólogos, médicos psiquiatras, neurologistas e pediatras.

Outra coisa, a avaliação do desenvolvimento não é uma avaliação neuropsicológica.

Embora a avaliação neuropsicológica avalie alguns aspectos gerais do desenvolvimento, essa avaliação é muito mais técnica e específica, pois inclui testes neurológicos e psicológicos específicos; anamnese médica a partir de entrevistas com o paciente e seus familiares e observação clínica.

O profissional que realiza a avaliação neuropsicológica deve ser um psicólogo especialista em Neuropsicologia.

Já a avaliação do desenvolvimento pode ser aplicada por profissionais da educação, sem necessidade de uma especialização específica.

Se o aluno possui atraso no desenvolvimento, a idade não é parâmetro para o currículo escolar

Se você é da área da educação, entender em que momento está o desenvolvimento do seu aluno com ou sem deficiência é extremamente importante.

Pois o desenvolvimento do aluno tem relação direta com o aprendizado do objetivo educacional que você quer ensinar, principalmente se o seu aluno tem algum diagnóstico de deficiência ou transtorno do aprendizado.

Isso porque alunos com deficiência que possuem dificuldade de aprendizado geralmente também têm um atraso no desenvolvimento associado.

O atraso no desenvolvimento ocorre quando o aluno não atingiu todos os marcos do desenvolvimento cognitivo, motor, social, emocional, de linguagem e comunicação na idade esperada.

Isso quer dizer que seu aluno pode ter 10 anos de idade, mas isso não significa que ele aprendeu todos os marcos esperados para uma pessoa com 5 anos de idade, por exemplo.

Não é a idade que irá definir o que o aluno aprendeu ou não, é a avaliação do desenvolvimento.

E o desenvolvimento pode ser dividido em várias áreas, mas aqui vamos dividir em 5 para facilitar: Desenvolvimento Motor, Linguagem, Cognição, Socialização, Autocuidados.

Relação entre o atraso no desenvolvimento e o rendimento escolar.

Quando você sabe exatamente em que área seu aluno com deficiência ou transtorno de aprendizagem possui atraso no desenvolvimento, você consegue entender a distância entre o atual nível de desenvolvimento do aluno e os pré-requisitos do objetivo educacional que você deseja ensinar.

Chamo as extremidades dessa distância de ponto A e ponto B.

Imagine uma linha onde nas duas extremidades existem um ponto A e um ponto B. O ponto A é o atual nível de desenvolvimento do seu aluno e o ponto B é o objetivo educacional que você quer ensinar.

Entre o ponto A e o ponto B existe uma distância que pode ser curta ou longa.

Quanto mais curta for a distância, mais fácil será o aprendizado do aluno, independente do diagnóstico. Porém quanto maior a distância, mais difícil será esse aprendizado.

Importante destacar que todos podem aprender independente de diagnóstico. Porém muitos alunos não aprendem justamente porque professores definiram um ponto A e um ponto B inadequados para seus alunos.

Exemplo de Ponto A e Ponto B adequados

Ponto A: realiza operações de adição com quantidades de até dois dígitos.

Ponto B: realizar operações de subtração com quantidades de até um dígito.

Repare que a distância entre os pontos é curta e perfeitamente alcançável, pois o aluno já dominou os pré-requisitos para aprender a operação de subtração.

Exemplo de Ponto A e Ponto B inadequados 

Ponto A: o aluno entende o conceito de quantidades até o número 5.

Ponto B: realizar operações de subtração com quantidades de até um dígito.

Aqui a distância entre os pontos é maior, pois ainda existem vários pontos implícitos: o aluno precisa aprender quantidades maiores, precisa aprender adição e etc, para só depois começar a trabalhar com a subtração.

Esse é um exemplo só para ilustrar o conceito.

Acontece que nem sempre o objetivo que queremos ensinar, ou seja, o ponto B está adequado para o aluno.

Tudo vai depender do ponto A desse aluno, que deve ser determinado através de uma avaliação do desenvolvimento.

Quando você realiza uma avaliação do desenvolvimento nas áreas de desenvolvimento cognitivo, motor, social, emocional, de linguagem e autocuidados você tem a garantia de definir um ponto A que faz sentido para seu aluno, então pode verificar se o seu ponto B está ou não está de acordo com as necessidades atuais do aluno.

Ensinar exatamente o que seu aluno precisa aprender agora é o conceito chave por trás de um currículo adaptado.

O currículo adaptado nada mais é do que um ponto A e B bem definidos, adequados para as necessidades específicas de aprendizado de um aluno.

O professor que entende isso vê seus alunos aprenderem independente do diagnóstico

A professora Janyany aplicou uma avaliação do desenvolvimento em seu aluno com deficiência e percebeu que ele precisava alcançar vários objetivos antes de trabalhar outros.

Então ela elaborou atividades adaptadas específicas para atingir esses objetivos antes e o aluno teve saltos enormes no seu desenvolvimento e aprendizado.

Você pode acompanhar minha entrevista completa com a professora em meu PodCast Anjo Educador, um quadro onde entrevisto alunos do Instituto Itard que alcançaram objetivos com seus alunos com deficiência:

O desenvolvimento precisa ser avaliado como um todo

Muitos me perguntam: mas Leandro, se quero, por exemplo, ensinar matemática, porque na minha avaliação do desenvolvimento devo avaliar linguagem, ou autocuidados? Qual relação essas áreas possuem com a matemática?

Duas palavras: desenvolvimento global

O desenvolvimento global é um conjunto de habilidades responsável pela autonomia de um indivíduo. É importante que todas essas faculdades, presentes em nossas vidas, estejam de acordo com seu funcionamento. Agora, e quando algo não está bem nessas funções? 

Ocorre o que chamamos de atraso no desenvolvimento global.

O desenvolvimento não é isolado, ele é global. O atraso em uma área do desenvolvimento prejudica outra.

Para ilustrar, imagine um aluno que não atingiu marcos na área de linguagem e socialização. Esse aluno pode não conseguir fazer as perguntas de que precisaria para tirar suas dúvidas na aula de matemática.

Além disso, sua dificuldade em manter conversas podem tê-lo privado de inúmeros momentos cotidianos de aprendizado sobre quantidades que o ajudariam agora na aula de matemática: brincadeiras, jogos, cantigas de roda e etc.

Mas Leandro, e se o meu aluno possui atraso no desenvolvimento na área de autocuidados, qual a relação que os autocuidados têm com o conteúdo escolar?

O autocuidado é prática de atividades que indivíduos iniciam e realizam em seu próprio favor para manter a vida, a saúde, e o bem-estar. Quando o aluno cuida de si próprio, ou seja, alimenta-se sozinho, consegue usar o banheiro com independência, entre outras atividades.

Qual a relação disso com a educação?

Acontece que a área de autocuidados tem total relação com a autoestima, essa por sua vez com a capacidade de realização e a independência.

O poder de um indivíduo em engajar-se em operações essenciais de autocuidados reflete diretamente na sua autoestima e independência.

Em outras palavras, um aluno que não aprendeu a fazer sua higiene bucal sozinho, dificilmente realizará uma atividade escolar com autonomia.

Não importa qual disciplina você lecione, você irá querer alunos com poder de realização e independência.

Por isso, entender as lacunas no desenvolvimento de autocuidados do seu aluno através de uma avaliação do desenvolvimento é relevante para efetivar uma educação inclusiva de qualidade.

Importante ressaltar que dependendo das necessidades específicas de cada pessoa, algumas tarefas de autocuidado podem ser adaptadas ou necessitar de ajuda específica.

Por exemplo: uma pessoa com dificuldade motora nas mãos pode não conseguir amarrar os cadarços do calçado por uma questão física e não de aprendizado. Nesses casos, meios alternativos devem ser levados em conta através de tecnologias assistivas, ou no caso do calçado, o uso de outros tipos de calçado que não precisem de cadarços.

Quando o aluno é mais velho e possui atraso no desenvolvimento

Mas Leandro, meu aluno já possui 15 anos de idade. Faz sentido avaliar marcos do desenvolvimento esperados para a infância?

Sim. Porque todo marco do desenvolvimento não alcançado abre uma lacuna que prejudica o aprendizado atual.

Por exemplo:

Um aluno com 15 anos que ainda não desenvolveu habilidades de socialização para manter uma conversa por 2 minutos, geralmente apresentará dificuldades na alfabetização, ou na produção de textos, pois a capacidade de dialogar é fundamental para a construção de narrativas.

Logo faz sentido sim fazer a avaliação do desenvolvimento de alunos mais velhos, até mesmo de adultos, pois não podemos olhar apenas a idade do indivíduo e assumir que ele já aprendeu tudo o que tinha para aprender.

Como fazer uma avaliação do desenvolvimento?

Mas não tente fazer uma avaliação do desenvolvimento sem forma sistemática de trabalho, através de testes, protocolos e escalas.

Não dá para avaliar o desenvolvimento de um aluno só com base na idade e na nossa observação.

É o mesmo que dizer: ah, ele tem 2 anos, eu acho que já devia estar falando algumas palavrinhas.

Ou então: ah, ele tem 10 alunos, eu acho que já deveria estar escrevendo.

A avaliação do desenvolvimento é bem mais complexa do que uma simples observação em relação a idade do aluno e o que se espera.

Também não podemos simplesmente comparar o aluno com outras crianças próximas, isso porque algumas crianças podem apresentar desenvolvimento acima da média em algumas áreas e ao mesmo tempo apresentar desenvolvimento abaixo da média em outras áreas.

Não é produtivo comparar um aluno com atraso no desenvolvimento da linguagem ou um aluno com desenvolvimento da linguagem além do esperado para a idade dele.

Por isso a comparação deve ser desencorajada, já que você terá acesso a pequenas amostras, irá comparar um aluno com outros dois, três, no máximo.

Por isso a necessidade de usar um instrumento de avaliação de desenvolvimento.

Esses instrumentos são baseados em estudos que analisaram o desenvolvimento de milhares de pessoas e não uma pequena amostra isolada.

Quando você usa um instrumento de avaliação do desenvolvimento você compara seu aluno com a média do desenvolvimento esperado de milhares de outras pessoas e isso torna a avaliação mais assertiva.

Quem deve fazer a avaliação do desenvolvimento na escola?

Para fazer a avaliação do desenvolvimento do jeito certo, precisamos de um processo contínuo de acompanhamento da criança e sistematização por meio de testes, escalas ou protocolos.

Dessa forma garantimos que todos os alunos serão avaliados da mesma forma e comparados com a média esperada de desenvolvimento para aquela idade.

Mas vou ser sincero, realizar essa avaliação de forma sistematizada não é tão simples de executar. É importante, mas não é fácil.

Você vai precisar de tempo com o aluno para realizar uma avaliação do desenvolvimento de maneira adequada. Pode ser necessário ficar sozinho com o aluno algumas vezes, em um ambiente livre de distrações.

Por essas e outras razões, se você for professor regente, tanto da educação infantil, dos anos iniciais do fundamental, anos finais do fundamental ou do ensino médio, talvez você não consiga realizar uma avaliação do desenvolvimento, pois fazer isso em sala de aula, junto com os outros alunos, pode ser quase que impossível.

Na escola inclusiva, o profissional mais adequado para realizar uma avaliação do desenvolvimento é o professor do Atendimento Educacional Especializado por 4 motivos simples:

1º motivo: ambiente apropriado – a sala de recursos

O professor do AEE terá uma sala de recursos multifuncionais a sua disposição, ou seja, um ambiente apropriado, rico de materiais e recursos adequados para fazer uma avaliação do desenvolvimento.

2º motivo: foco no aluno 

O professor do AEE terá tempo para se dedicar a um aluno em específico, ao invés de toda a turma como o professor regente faz. Isso porque o foco do Atendimento Educacional Especializado é no aluno, um atendimento por vez, quando o foco do professor regente tende a ir para a turma por questões práticas de tempo disponível.

3º motivo: conhecimento especializado

O professor do AEE tende a ter mais conhecimento específico sobre aspectos desenvolvimentais, como linguagem, cognição, autocuidados e sobre as necessidades específicas que acompanham determinados diagnósticos, enquanto o professor regente tende a ter mais conhecimentos específicos sobre a sua disciplina.

4º motivo: proximidade com a família

Dependendo do resultado da avaliação do desenvolvimento, pode ser necessário que o aluno trabalhe alguns objetivos específicos em casa, junto da família.

Como o professor do AEE trabalha com menos alunos, fica mais fácil dar atenção para as famílias e acompanhar o desenvolvimento dos alunos.

5 instrumentos para realizar a avaliação do desenvolvimento

Por isso é importante professor, profissional da área de educação que trabalha com alunos com deficiência ou transtorno de aprendizagem, conhecer essas escalas para avaliação do desenvolvimento para poder aplicá-las de maneira correta.

Por isso separei para você 5 escalas para realizar a avaliação do desenvolvimento de alunos com deficiência na sua escola inclusiva, e vou recomendar uma delas, que é a que geralmente uso nos meus atendimentos individuais e nos meus treinamentos.

OBS: alguns desses são mais do que simples escalas de desenvolvimento, envolvendo formas específicas de avaliação, por isso o nome protocolo.

O importante é você saber que existem vários instrumentos de avaliação para usar na educação inclusiva e no atendimento educacional especializado.

Vamos lá?

1ª escala: VB-MAPP

O protocolo VB-MAPP é uma sigla em inglês que no português significa “Avaliação de Marco do Desenvolvimento e Programa de Nivelamento”. 

O VB-MAPP foi feito para oferecer um levantamento de uma amostra demonstrativa das habilidades verbais e relacionadas da criança.

O VB-MAPP te ajuda a responder a seguinte pergunta: o que essa criança sabe com relação ao comportamento verbal dela, sua linguagem e as habilidades que influenciam e são influenciadas por ela no desenvolvimento da linguagem?

Para aplicar este protocolo, é essencial que haja conhecimento na Teoria de Comportamento Verbal, ter conhecimento básico na Análise do Comportamento Aplicada, além de conhecimento da estrutura básica da linguagem, desenvolvimento da linguagem e conhecer o Manual da Aplicação desta ferramenta.

2ª escala: Denver II

Avalia linguagem, comportamento, desenvolvimento motor e psicossocial em crianças de 0 a 6 anos. Descrito por Frankenburg e Dodds, em 1967, o experimento analisou crianças da cidade de Denver, nos Estados Unidos. Em 1992, ganhou uma versão revisada, renomeada Denver II.

O teste consiste em 125 questões dispostas em um único quadro, dividido em quatro grandes áreas: motor geral, motor fino-adaptativo, linguagem e pessoal-social.

O Denver II é utilizado no Brasil há mais de cinco décadas por pesquisadores e profissionais da área de saúde, entre eles, enfermeiros, fonoaudiólogos, médicos, fisioterapeutas, nutricionistas e terapeutas ocupacionais, devido à facilidade de aplicabilidade.

O breve tempo para sua execução e a idade de abrangência (entre zero e seis anos) tornou o instrumento elegível para uso na avaliação e vigilância do desenvolvimento de crianças brasileiras que frequentam creches, pré-escolas, unidades básicas de saúde, ambulatórios, hospitais, serviços especializados em distúrbios de desenvolvimento infantil, no ensino e na pesquisa.

3ª escala: ABLLS-R

ABLLS-R é uma sigla em inglês para Avaliação de Linguagem Básica e Habilidades de Aprendizagem-Revisada.

Além de ser um instrumento de avaliação, serve como guia curricular ao elencar habilidades básicas de comunicação e de aprendizagem.

No total, são 544 habilidades que se dividem entre 25 áreas, como interação social, auto ajuda e habilidades motoras, por exemplo. Todas elas são esperadas para crianças em idade pré-escolar com desenvolvimento típico.

4ª escala: Escala Bayley de desenvolvimento motor infantil

A Escala Bayley foi criada pela psicóloga Nancy Bayley, a escala tem como objetivo avaliar o desenvolvimento neuropsicomotor de crianças entre 3 e 25 meses de idade.

O experimento é composto por três etapas, realizadas em testes de avaliação mental, motora e comportamental.

5ª escala: Guia Portage de Educação Pré-escolar / Inventário Portage Operacionalizado

O Guia Portage de Educação Pré-escolar desenvolvido nos Estados Unidos, na cidade de Portage, Wisconsin em 1978. Consiste em uma listagem de 580 comportamentos de crianças de 0 a 6 anos para as áreas de Desenvolvimento Motor, Linguagem, Cognição, Socialização, Autocuidados e uma área específica para bebês de 0-4 meses denominada de Estimulação Infantil (ou estimulação precoce).

O Portage era utilizado até então apenas para o ensino dessas habilidades. 

Em 1983, aqui no Brasil, a tese de Doutorado da professora Lúcia Cavalcanti de Albuquerque Williams, atualmente professora no departamento de psicologia na UFSCar, realizou um estudo experimental para demonstrar que mães de crianças com deficiência poderiam ser orientadas em treino domiciliar, de forma a acelerar o desenvolvimento dos filhos.

Uma prova de que pessoas comuns (sem formação na área) podem fazer coisas incríveis com a orientação correta.

Posteriormente, esse estudo se tornou o livro Manual do Inventário Portage Operacionalizado, cuja compra e leitura eu recomendo.

O Portage é muito utilizado em todo o mundo, inclusive por algumas secretarias de educação aqui no Brasil, mas não todas. Infelizmente nos cursos de licenciatura e pedagogia ele não está no currículo (pelo menos na maioria).

A escala Portage pode ser usada com a criança cujo desenvolvimento é normal até a faixa de 06 anos, podendo ser utilizadas em berçários; creches; programas de pré-escola; e com crianças mais velhas onde há suspeita de atraso de desenvolvimento.

Eu uso o portage nos meus atendimentos individuais e ensino a usar o portage nos meus treinamentos, pois ele te ajuda a encontrar o PONTO A e o PONTO B do seu aluno com deficiência e assim construir um currículo adaptado que realmente faça sentido para o aluno.

Eu deixei um link para você adquirir o livro do Inventário Portage Operacionalizado aqui

Mas antes de você sair por ai comprando um livro, me deixa fazer uma observação.Tão importante quanto fazer uma boa avaliação do desenvolvimento, é você construir um bom plano de intervenção e conhecer as estratégias adequadas para adaptar atividades para cada necessidade específica.

Só assim você consegue adaptar atividades e ver o seu aluno aprender, independente do diagnóstico, porque todos podem aprender.

E para finalizar esse vídeo ler 2 citações que eu acredito que se encaixam perfeitamente com o tema avaliação do desenvolvimento na educação inclusiva.

“o professor tem se que desligar-se da nota, ou conceito e preocupar-se, em primeiro lugar, em identificar o que cada aluno já venceu o que falta alcançar e, principalmente, porque ele não alcançou determinado objetivo.”
Melchior (1998, p. 85),

É preciso não deixar o tempo passar, mais sim, monitorar, continuamente, os progressos e as lacunas demonstrados pelos os estudantes. Assim, poderemos ajustar a forma de ensinar, em lugar de esperar o fim do período para, já sem ter o que fazer constatar se as crianças e os adolescentes aprenderam ou não o que foi estabelecido.
Morais; Albuquerque; Lea

Resumo: o que vimos aqui sobre avaliação do desenvolvimento

  • O que é Avaliação do Desenvolvimento
  • O que são marcos do desenvolvimento
  • As principais áreas do desenvolvimento: Desenvolvimento Motor, Linguagem, Cognição, Socialização, Autocuidados.
  • Que o desenvolvimento é global, ou seja, o atraso em uma área do desenvolvimento prejudica outra e consequentemente, o aprendizado escolar de um objetivo específico.
  • A importância de definir objetivos educacionais adequados para o aluno e a estratégia de definir um ponto A e um ponto B.
  • A importância de usar um instrumento de avaliação do desenvolvimento adequado, que seja sistematizado.
  • Que o profissional mais adequado para realizar uma avaliação do desenvolvimento é o professor do Atendimento Educacional Especializado
  • E por fim 5 sugestões de instrumentos de avaliação do desenvolvimento.

Espero que você tenha gostado do post, não esqueça de deixar seu comentário aqui embaixo, que vou responder todos sempre que possível.

Abraços Inclusivos.

Leandro Rodrigues

Eu sou Leandro e acredito que as pessoas podem evoluir muito além dos rótulos, estigmas e preconceitos. Todos podem aprender. Esp. em Educação, Diversidade e Inclusão Social. Formação inicial em Ciência da Computação. Fundador do Instituto Itard e criador do curso Adaptando Atividades para Alunos com Deficiência.

5 thoughts on “Como fazer uma Avaliação do Desenvolvimento na Educação Inclusiva

    • Janeide dos Santos Barbosa says:

      Oi Leandro, conteúdos riquíssimos, grata pelo compartilhamento e informações que nos auxiliam em toda trajetória. Então … Trabalho em uma instituição privada na sala do AEE, sou pedagoga, Psicopedagoga, Especialista em Ed Especial e concluindo Psicomotricidade e o ABA. O conhecimento nunca é demais. A maior resistência que percebo por parte dos professores é trabalhar justamente partindo do ponto A e o que sempre alegam é que adaptar as atividades de acordo com as necessidades não é tarefa deles. Gostaria de saber se essa atribuição seria do professor do AEE, pelo que sei NÃO, teria alguma lei que trás esse respaldo e orientações. Pois em minha opinião seria uma tarefa em conjunta

  1. LUZIMZR ANTUNES PEREIRA says:

    Boa noite.
    Amei o material. É RICO EM INFORMAÇÃO E LEVA VC DESBRAVAR O CONHEIMENTO SUPLEMENTANDO UM NOVO OLHAR PARA O PROCESSO DE ENSINO APREMDIZADO.

  2. Valdeci Ribeiro Dantas says:

    Amei o material. É RIQUISSIMO EM NOVOS CONHECIMENTO JA TINHA ALGUM CONHECIMENTO APONTADOS NESTA MATÉRIA MÁS SEMPRE ESTAMOS AGREGANDO NOVAS FORMAS DE APRENDIGEM COM IMFORMAÇÕES MARAVILHOSA.MUITO GRATA POR DISPONIBILIZAR IMFORMAÇÕES TAÕ IMPORTANTES PARA NÓS DA ESDUCAÇÃO ESPECIAL DEUS ABENÇÕE GRANDEMENTE A TODA EQUIPE.

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