Dislexia na sala de aula: O que todo professor precisa saber

dislexia na sala de aula inclusiva

São muitos os profissionais e professores de educação especial que falam a respeito da necessidade de uma atenção especializada para o aluno com dislexia.

Esses profissionais tem razão!  Muitos defendem a importância de existir um programa de apoio para alunos com dificuldade neurológica. Porque eles precisam sim de atendimento educacional especializado.

Segundo a nossa legislação pessoas com disléxicas não são consideradas público-alvo da educação especial. Eles têm direito a uma educação especializada embora não tenham acesso a ela.

Pense comigo, será que os profissionais da área de educação sabem identificar as características que fazem parte da realidade de pessoas disléxicas? Ou tem algum aluno que apresenta este distúrbio na sala de aula?

Neste artigo serão compartilhadas informações relevantes para mostrar a importância de considerar o perfil de cada aluno. E também algumas técnicas de aprendizado que podem auxiliar este estudante a aprender de acordo com a sua realidade.

O que é dislexia?

É importante esclarecer que a dislexia não é uma deficiência e sim um transtorno neurobiológico.

O objetivo não é entrar em diagnóstico porque esta é uma parte para os especialistas como os fonoaudiólogo, psicólogos, pediatra ou neurologista, por exemplo.

Na definição adotada pela IDA – International Dyslexia Association.

“A dislexia é considerada um transtorno específico de aprendizagem de origem neurobiológica, caracterizada por dificuldade no reconhecimento preciso e/ ou fluente da palavra, na habilidade de decodificação e soletração.”

Essas dificuldades normalmente resultam de um déficit no componente fonológico da linguagem e são inesperadas em relação à idade e outras habilidades cognitivas. 

Em pessoas que apresentam este tipo de transtorno as diferenças são pessoais, ou seja, singular. Neste sentido, entre semelhanças e diferenças é importante respeitar a singularidade de cada aluno.

Pois uns podem apresentar algumas características inexistentes em outros. 

O diagnóstico é clínico, ou seja, feito por um especialista na área da saúde e não por um professor. 

O entendimento é científico, desta forma existem cientistas que estudam exclusivamente a neurobiologia e tudo o que acontece dentro do cérebro dessa pessoa, sendo o tratamento com base na educação.

Sintetizando o que foi exposto, na dislexia deve ser observado que as diferenças são pessoais. O diagnóstico é clínico. O entendimento é científico e o tratamento é educacional.

Isso faz sentido pra você?

Pessoas disléxicas não são consideradas público- alvo da educação especial.

Apesar da educação ao aluno que apresenta este distúrbio não é considerada especial no Brasil, ela merece toda a nossa atenção especial.

Existe um projeto de lei desde 2010 (PL 7081/2010) que defende os direitos de pessoas com dislexia nas escolas que está aguardando apreciação pelo senado federal. 

Você sabia que são mais de 2 milhões de casos por ano no Brasil? Embora não exista uma legislação específica que dê direito legal ao acesso a uma educação especial para esses alunos. A probabilidade de ter um aluno com dislexia nas salas de aula é muito alta. 

Diante dessa realidade é necessário que você aplique algumas técnicas para trabalhar na educação inclusiva desses alunos.

Ainda existem muitos professores que questionam a educação inclusiva por desconhecerem o Atendimento Educacional EspecializadoLeia aqui mais sobre este assunto para você entender os aspectos legais e os recursos oferecidos para dar atendimento ao aluno que mais precisa.

Características específicas do aluno com dislexia

Lembrando que cada pessoa é única, estes exemplos não são uma regra, e sim o que normalmente acontece, certo?

Alguns casos práticos identificados no dia a dia dos profissionais de atendimento educacional especializado em dislexia são:

  • Trocar letras, principalmente quando elas possuem sons parecidos, como “f” e “v”, “p” e “b”. “d” e “t” ;
  • Pular ou inverter sílaba na hora de ler ou escrever;
  • Fala prejudicada, comunicação mais limitada e retraída tanto na fase inicial de sua vida como durante a adolescência também;
  • Dificuldade em associar letras e sons;
  • Confundir palavras que soam parecidos, como por exemplo, “macarrão” ou “camarão”;
  • Erros constantes de ortografia;
  • Lentidão na leitura;
  • Problemas de localização de esquerda e direita;
  • Dificuldades para estudar;

Importante lembrar que não existe cura e sim tratamento com base na educação. 

É na parte educacional na escola, com auxílio da psicopedagogia ou com planos específicos de reforços e os recursos que a escola tem para oferecer a esses alunos que acontece o tratamento educacional 

Claro que pode ocorrer o acompanhamento de algum profissional da área da saúde. Mas é somente dentro da área de educação mediada de um professor que o tratamento acontece.

Veja aqui 5 dicas adaptadas a educação especial fundamentadas em pesquisa científica que são mais fáceis do que imagina para implementar na sala de aula.

Após expor os problemas, vamos falar da solução.  Ou melhor, o que outros professores como você e profissionais de educação inclusiva estão fazendo e que está dando certo.

O disléxico precisa de atendimento especial

Saiba que é comum a pessoa nessa condição se sentir ansiosa, nervosa, aborrecida, frustrada e desmotivada na fase escolar. 

Sendo assim, é necessário intervir para que este sentimento não acompanhe o aluno durante o percurso da vida escolar e chegue na fase adulta.

A pessoa com dislexia não tem nenhum tipo retardo mental na aprendizagem, muito pelo contrário, na maioria dos casos elas têm um QI acima da média, ou seja, são muito inteligentes, porém apresentam dificuldades específicas.

Existem algumas nuances específicas para você trabalhar com pessoas que apresentam este distúrbio em sala de aula, como por exemplo:

  • Atividades que destaca as dificuldades de pessoas disléxicas;
  • Atividades para trabalhar a atenção e as diferenças entre uma letra e outra com sons parecidos;

Atividades como essas devem ser reservadas em sessões individuais, porque se você incluí-las dentro da sala de aula com outros alunos vai destacar a dificuldade e expor o aluno na frente seus colegas.

5 técnicas para você trabalhar com alunos com dislexia na sala de aula

como trabalhar com aluno com dislexia

#1 Esclarecer ou simplificar instruções por escrito e valorizar os trabalhos pelos conteúdos e não pelos erros de escrita.

Não é indicado passar para o aluno uma atividade com um enunciado grande e pedir para ele fazer uma única coisa. Desta forma você vai complicar a vida do aluno. 

Por outro lado, colocar dentro de um enunciado várias atividades pode se tornar uma tarefa difícil. É muito mais simples, por exemplo, você separar o que for solicitado em tópicos para evitar causar confusão na interpretação e na leitura.

Muita palavra junta pode ser um pesadelo para quem tem dislexia, pois vai exigir muito do aluno pela quantidade de informação para tomar uma ação.

Neste caso o indicado para você ajudar e facilitar a aprendizagem desses alunos que estão lidando com a leitura e com escrita é usar parágrafos pequenos, frases curtas e objetivas. 

#2 Ensinar a resumir anotações que sintetizem o conteúdo e permitir o uso de tecnologia

Metacognição é a habilidade de aprender a melhor forma como se aprende. Algumas pessoas aprendem fazendo resumos, gravando o que o professor está falando para ouvir depois.

Por outro lado, outras aprendem estruturando o conteúdo em desenho ou tópicos, ilustração, mapa mental, destacando palavra-chave e até mesmo com caderno interativo.

Diante do que foi visto, a lição mais importante é ensinar o aluno a resumir anotações e sintetizar conteúdo. Estimular para que o aluno aprenda da forma dele.

Neste sentido, você precisa se permitir a descobrir qual forma de aprendizagem é melhor segundo a dificuldade apresentada.

O uso de tecnologia talvez seja o ideal para o seu aluno, já pensou nisso?

Pode ser um gravador, tablet com um aplicativo específico como corretor de texto ou até mesmo tirar fotos do conteúdo exposto pelo professor pela falta de tempo de copiar as anotações. 

Essa é uma dica valiosa que pode ser usada ao longo da vida adulta da pessoa disléxica ou pessoas com outros transtornos de aprendizagem.

Qualquer dificuldade de leitura e escritura pode ser superada com o uso das tecnologias. É necessário aprender a melhor forma do aluno aprender. 

O mundo está em constante mudança, é preciso que vocês professores também se adaptem a ele. Veja aqui como usar a tecnologia na escola mesmo sem saber de informática.

#3 Permitir recursos! Ex: nas provas de matemática, o uso de tabuadas e consulta as fórmulas

Isso é muito importante diante da dificuldade neurobiológica que compõem a dislexia. É relevante aqui expor as técnicas que podem serem aplicadas na didática desses alunos para facilitar a vida deles e compensar uma dificuldade.

O atendimento educacional especializado não torna um aluno menos eficiente, ele vai continuar resolvendo os problemas matemáticos, mas com um suporte que vai ajudá-lo nas equações e nos cálculos do dia a dia, por exemplo.

#4 Realizar sempre que possível de provas orais e evitar aplicar testes de múltipla escolha

Apesar de ser temido por muitas pessoas. Uma prova em forma de conversa é o ideal para esses alunos pelo fato deles terem absorvido o conteúdo na escuta da voz. A percepção dos alunos com dislexia é muito melhor na audição do que na leitura de textos.

A leitura de texto é um ponto fraco que precisa ser estimulado com a exploração dos pontos fortes deles. Nós professores não queremos ressaltar os pontos fracos de nossos alunos, queremos ressaltar os pontos fortes deles, não é verdade?

Você concorda que estimular as potencialidades desses alunos faz com que eles fiquem mais motivados, se sentem mais confiantes e capazes de aprender? Neste caso a probabilidade de sucesso numa prova oral é muito maior.

#5 Prever tempo extra como recurso obrigatório e buscar explorar as habilidades de pessoas disléxicas e não os fracassos

Você sabia que existem alguns países ou instituições que permitem um tempo extra ou o uso de recursos para as atividades escolares sejam desenvolvidas?

No nosso caso isso não é uma lei, apesar de já ter ocorrido em algumas situações específicas. Mas você, em cooperação com a coordenação e direção da escola pode tornar possível flexibilizar as normas para alunos nessas condições.

O que o seu aluno faz de melhor? Ele fala bem? É um bom ouvinte? Ele gosta de pintar ou colorir? Essas observações são fundamentais para valorizar o que ele faz bem que pode ser valorizado ao invés de apontar os fracassos e desestimulá-lo.

 Além das técnicas indicadas acima, você também pode:

  • Utilizar a leitura compartilhada como forma lúdica que tem como objetivo estimular a leitura e a imaginação do aprendente;
  • Fornecer um glossário específico do conteúdo trabalhado e destacar as informações mais importantes com um marca texto;
  • Avaliar outras habilidades além das provas escritas, como trabalho ou atividades realizada em sala de aula, por exemplo;
  • Cópias de textos longos sempre que possível devem ser evitadas, e diminuir os deveres de casa que envolvem a leitura e a escrita.

Flexibilizar é incluir

Na didática, o aluno precisa de um profissional que o ensine a aprender. 

Segundo a Associação Brasileira de Dislexia (ABD)  este é o distúrbio de maior incidência nas salas de aula e atinge entre 5% e 17% da população mundial.

Existe uma comissão que assegura o direito de toda criança com distúrbios como os da dislexia em aprender. Este grupo de trabalho pretende elaborar um documento com orientações capazes de ajudar os professores na educação desses alunos.

Intervir com amor, empatia e entendimento de que o aluno disléxico possui uma dificuldade neurobiológica é fundamental para a aprendizagem.

Independente do aluno apresentar este distúrbio, sabemos que a aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração é individual. A perspectiva desse aluno ter sucesso na vida pessoal e profissional é igual para qualquer outra pessoa.

Se você entender que cada indivíduo possui uma forma de aprender e não generalizar, é mais fácil flexibilizar para incluir!

Vamos concluir este post te indicando como adaptar as atividades para casos de atraso cognitivo ou deficiência intelectual. Clique aqui e saiba mais!

Gostou? Compartilhe outras formas didáticas utilizadas em sua sala de aula que ajuda no processo de aprendizagem de alunos com dislexia.

Até mais!

 

Leandro Rodrigues

Eu sou Leandro e acredito que as pessoas podem evoluir muito além dos rótulos, estigmas e preconceitos. Todos podem aprender. Esp. em Educação, Diversidade e Inclusão Social. Formação inicial em Ciência da Computação. Fundador do Instituto Itard e criador do curso Adaptando Atividades para Alunos com Deficiência.

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