Como Trabalhar com Alunos com Deficiência Intelectual – Dicas Incríveis para Adaptar Atividades!

como trabalhar com alunos com deficiência intelectual;

Está faltando criatividade para trabalhar com alunos com deficiência intelectual? Preparei uma série de dicas aqui.

Deficiência intelectual, também conhecida como retardo mental, ou deficiência mental (embora esses 2 últimos termos estejam em desuso atualmente) está relacionada com dificuldade de raciocínio e compreensão.

No geral, crianças com deficiência intelectual apresentam raciocínio e compreensão abaixo da média em relação a outras crianças da mesma idade. Isso exige do professor um esforço e dedicação complementar, adicionado de estratégias de ensino altamente eficientes.

Mas antes de começar a falar em como trabalhar com alunos com deficiência intelectual, fazer a adaptação de atividades, criar atividades lúdicas para deficientes intelectuais e elaborar planos de aulas adaptados, vamos rever o conceito de deficiência intelectual, através de uma perspectiva médica.

O médico neuropediatra Dr. Clay Brites, da NeuroSaber, (eu sigo a NeuroSaber e recomendo) gravou um vídeo que explica rapidamente o que é Deficiência Intelectual. Mesmo que você já tenha estudado sobre esse tema, vale a pena parar agora para assistir:

Bom, assistido ao vídeo, agora vamos para a escola.

Alunos com deficiência intelectual na escola

Nos últimos anos as matrículas de alunos com deficiência nas escolas tem aumentado exponencialmente. Isso quer dizer que, a questão não é se você vai ter uma aluno com deficiência na sua sala de aula, mas quando.

Se você ainda não teve contato com alunos com necessidades educacionais especiais e isso te assusta, não se sinta uma pessoa má. Infelizmente nossa geração foi criada com uma série de preconceitos e estigmas que nos impedem de ver a realidade como ela é, de fato.

Todas as crianças podem aprender e se desenvolver. As mais sérias deficiências podem ser compensadas com ensino apropriado – Vygotsky.

A realidade é que essas crianças, as com deficiência, são como qualquer outra criança, querem brincar, falar, abraçar, ouvir histórias, fazer amigos… mas que, como qualquer outra criança, apresentam dificuldades escolares e possuem seus próprios desafios. Esses desafios e dificuldades podem ser decorrentes da própria deficiência em si, ou ainda das limitações e privações causadas pela deficiência ou por crenças limitantes da família da criança em relação a suas possibilidades.

A infantilização e a subestimação da pessoa com deficiência intelectual podem ser as principais barreiras para sua inclusão.

Entenda mais sobre a filosofia da Educação Inclusiva no post O que é Educação Inclusiva? Um Passo a Passo para a Inclusão Escolar.

A educação inclusiva tem como aliado o Atendimento Educacional Especializado. Se você deseja entender melhor sobre o AEE na escola, recomendo a leitura desse post: Atendimento Educacional Especializado: a verdade do AEE na escola.

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Pois bem, definidos alguns conceitos, vamos à parte prática!

Plano de aula para alunos com deficiência intelectual em 4 passos

Eu amo planos de aula, quando são bem feitos e levam em consideração as características do aluno.

Você deve me perguntar… como assim levar em consideração as características dos alunos?

Não estou falando de limitações, de rótulos ou estigmas!

Estou falando basicamente de conceitos trabalhados por Madeline Hunter em Teoria da Aprendizagem, ou ainda Teoria da Aprendizagem Significativa, de David Ausubel.

Apesar de parecer óbvio, os alunos aprendem melhor quando o que está sendo ensinado tem significado para ele. Os alunos com deficiência intelectual não são exceção.

Você vai me dizer: – Mas Leandro, não tenho tempo de ficar planejando uma aula para cada aluno, isso é impossível!!! – Eu digo: Sim, é impossível, concordo com você. Se você tem 30 alunos em uma turma não vai poder planejar todas as suas aulas assim. Mas, se você puder, pelo menos uma vez por semana, faça isso para esse aluno com dificuldade de aprendizagem. Uma vez por semana é melhor do que nunca. Um vez por semana pode fazer a diferença daqui a alguns meses. Acredite. (Estou supondo aqui que seu aluno não faz AEE na sala de recursos, se ele fizer, melhor ainda)

O olhar do professor deve ser acolhedor, acreditando na capacidade que cada indivíduo tem de superar seus limites.

Abaixo vou listar quatro dos pontos que mais considero importante para aumentar a expectativa de aprendizagem do aluno com deficiência intelectual.

1º passo: conheça seu aluno

Uma das maneiras mais fáceis de dar sentido ao aprendizado é relacioná-lo com a própria vida do aluno.

Ou seja, antes de começar a planejar sua aula, entenda o seguinte:

Quem é o seu aluno?
Do que ele gosta?
Do que ele não gosta?
O que é importante para ele?
Quais as habilidades que ele possui?
Quais as dificuldades que ele possui?
Qual o modelo de aprendizagem do seu aluno?

Sobre modelo de aprendizagem, é importante ressaltar que as pessoas aprendem de maneiras diferentes. Algumas aprendem melhor vendo, outras ouvindo, algumas até pelo toque. Saber qual o melhor modelo de aprendizado do seu aluno com deficiência intelectual é fundamental. Leia mais sobre Modelos de aprendizagem e sua Relação com Necessidades Educacionais Especiais.

De posse dessas informações (estou sendo superficial aqui) você terá uma base para começar a planejar sua aula para esse aluno em específico.

2º passo: use a emoção

Lembramos melhor os acontecimentos associados a um sentimento agradável.

Você se lembra do que aconteceu a exatamente 18 dias atrás? Caso tenha acontecido algo importante, você se lembrará, caso contrário será como um dia qualquer e dificilmente você se lembrará.

Importante quer dizer que tem significado para você. O que tem significado para você pode não ter para mim. Por exemplo, o dia do seu primeiro beijo. Você deve se lembrar desse dia, porque tem uma emoção associada a ele. Uma emoção agradável (ou não).

Com base no que você sabe sobre seu aluno, do que ele gosta e não gosta, do que é importante para ele e o que não é importante, escolha algo para trabalhar uma emoção agradável para ele.

Por exemplo, se você sabe que seu aluno adora ir até a pracinha para brincar no escorrega, adivinha qual pode ser o contexto da sua aula: isso mesmo, a pracinha. Independente se você quer ensinar matemática, português, motricidade fina ou ciências, use a pracinha como contexto: as cores dos brinquedos da pracinha, as formas dos brinquedos, a quantidade de brinquedos, a letra dos nomes dos brinquedos e etc.

Agora, se seu aluno tem uma emoção negativa associada a pracinha, por favor, nunca fale de pracinha com ele.

3º passo: dê significado ao que será ensinado

Outro ponto importante é dar significado. Alunos com deficiência intelectual irão prestar mais atenção em coisas que fazem sentido para eles.

Quantas vezes você já ouviu isto: “Se ele não compreende, não faz mal; compreenderá depois”. Há muito pouco “depois” para o aluno que não compreende alguma coisa, porque a aprendizagem sem significação é rapidamente esquecida.

Empregue sempre o máximo de significado na aprendizagem.

Por exemplo, se você precisa ensinar o aluno a juntar sílabas para formar uma palavra, não use “SAPO” ou “PATO”, a menos que o aluno ame sapos e patos. Eu sei que essas sílabas são importantes, mas jogadas assim, sem contexto, perdem significação para o aluno.

Como sugestão, caso seja necessário usar essas palavras, você pode contextualizar a atividade como se o aluno estivesse escrevendo uma lista das coisas que a tia tem medo (caso o aluno seja muito apegado a você). “Gente, hoje eu estou com muito medo, porque eu vi um SAPO. A tia tem muito medo de SAPO. (faça uma reação exagerada ao falar “sapo”) Você sabe mais do que eu tenho medo? Quer descobrir? Vamos juntar as sílabas para descobrir do que mais a tia tem medo. SA-PO. BA-RA-TA. FA-CA … ”

O exemplo acima, apesar de simples, atribui um significado à palavra SAPO. É a palavra que representa algo que a tia tem medo. Se o aluno se importa com a tia, em agradá-la, em vê-la feliz, se importará com o que ela tem medo.

Se você fizer reações exageradas de medo: “ai, um sapo, que medo!” e o aluno achar isso engraçado, você estará associando o aprendizado a uma emoção agradável, o que promoverá a retenção do seu aprendizado.

4º passo: o reforço positivo

Alunos com deficiência intelectual devem ter reforço positivo mais do que os outros alunos.

Reforço positivo é, por exemplo, um elogio, um “muito bem, você acertou”, palmas, abraços, uma bala, e por aí vai.

Sempre que as crianças se comportam da maneira que desejamos que continuem a fazê-lo, o reforço positivo, imediato, aumenta a probabilidade de que prossigam agindo assim.

Empregar uma palavra difícil numa frase que mencione o nome do aluno é uma técnica poderosa, embora raramente usada: “João, você hoje fez um esforço APRECIÁVEL para ajudar seu time a vencer”. Isso não apenas auxilia João a memorizar a palavra “apreciável”, mas valoriza seu ego também, fazendo um reforço positivo. – Madeline Hunter

A cada acerto, reforce positivamente. Isso manterá seu aluno muito motivado.

Esses são os 4 pontos que considero mais importantes levar em consideração antes de planejar uma aula, para qualquer aluno que seja, mas principalmente para os alunos com deficiência intelectual. Existem, claro, muitas outras questões que devem ser levadas em conta, o que tornaria esse post muito extenso.

5 dicas de comunicação para alunos com deficiência intelectual

Com a aula planejada, você terá uma estratégia de ensino bem definida. Nessa estratégia é importante levar em consideração a forma como você se comunica com seu aluno. Eu acredito que comunicação é a base de tudo. Se o aluno não entende o que você diz, nada fará sentido.

Você já leu o poema Leilão de Jardim, de Cecília Meireles? Certa vez fui pego de surpresa para ler esse poema a meu filho de 4 anos como atividade para casa. Ao final da leitura, ele (meu filho) deveria fazer uma releitura do poema, com desenhos, pinturas, figuras, recortes, materiais de artesanato, tudo isso em uma folha. Desafiador não é? Como ter certeza que uma criança de 4 anos está entendendo palavras como caracol, cigarra, grilo, formigueiro, ovos coloridos, lavadeiras, lagarto, primavera e etc?

Primeiro, fui até o computador, no Google Imagens e comecei a mostrar fotos de todas essas coisas. Logo, estava com o navegador de internet cheio de abas abertas em sequência, de acordo com o poema, lendo o poema e exibindo as imagens correspondentes. Porém, o poema falava do som da cigarra. Então, no YouTube, apresentei uma cigarra cantando para o meu pequeno garoto. Ele ficou surpreso. Aproveitando que estava no YouTube, apresentei também o caracol. Foi o animal mais surpreendente para ele! Meu filho ficou muito animado ao ver o caracol saindo da casinha dele e esticando seus olhos compridos.

O que fiz aqui? Fiz um esforço para que as palavras do poema fossem compreendidas, diminuindo o grau de abstração (sim, palavras são muito abstratas). Uma vez que conheço meu filho, sei que ele com essa idade ainda não conhecia todas essas palavras e nem tinha vivenciado experiências de contato com tantas coisas assim da natureza. Ver um vídeo de uma criatura nova pela primeira vez, sem dúvida, gera impacto emocional. Melhor seria se eu tivesse como levá-lo para ver todos esses bichos.

Níveis de abstração para alunos com deficiência intelectual

Fazer o aluno compreender o que você fala é primordial! Exemplos concretos são sempre a melhor opção. Quanto menor o nível de abstração, melhor. A imagem abaixo ilustra bem o exemplo do caracol e dos níveis de abstração.

Níveis de abstração para alunos com deficiência intelectual

Lembrando que, antes do desenho de linha da imagem acima, as “palavras” (ditas e/ou escritas) podem ser colocadas como ainda mais abstratas. Lembre de quando eu li o poema para meu filho, quando li a palavra “caracol”. O som da palavra “caracol” não significava nada naquele momento, ele não compreendeu. Só depois de ver fotos e assistir ao vídeo que ele assimilou.

Seguem as dicas para se comunicar com alunos com deficiência intelectual:

  1. Fale com as crianças usando palavras simples, mas não palavras infantis.
  2. Faça pedidos claros e precisos.
  3. Mantenha-se calmo e esteja pronto para reformular seu pedido de várias maneiras.
  4. Use exemplos concretos com freqüência, ou seja, diminua a abstração.
  5. Para confirmar se uma criança entendeu sua mensagem, discretamente peça para que ela repita.

Atividades para alunos com deficiência intelectual

Ao criar suas atividades para alunos com deficiência intelectual, todo procedimento deve ser pensado: os níveis de estímulo, de ajuda e de complexidade da atividade de acordo com o desempenho do aluno.

A instrução verbal, o tipo de ajuda motora, o incentivo fornecido pelo professor serão determinantes para a realização da atividade.

Um ponto importante é ter planejado os tipos de ajuda que você irá oferecer, quais instruções verbais vai utilizar, os momentos que irá oferecer ajuda motora, os momentos que fará incentivo (reforço positivo) e etc.

Qualquer um desses estímulos deve ser planejado para que o professor consiga adequar a frequência da utilização de cada uma dessas ações e planejar sua gradual retirada para garantir o máximo de independência para o aluno realizar a atividade.

12 atividades lúdicas para alunos com deficiência intelectual

No brincar e jogar, diversos aspectos são estimulados, desenvolvidos ou aperfeiçoados: a criatividade; a memorização; a cooperação e a solidariedade; a concentração; a linguagem; a motivação; a aquisição de conceitos; a motricidade; a capacidade de discriminar, julgar, analisar, tomar decisões e aceitar críticas; a competitividade; a socialização; a confiança em si e em suas possibilidades; o respeito às regras e o controle emocional.

Seguem algumas sugestões de atividades para alunos com deficiência intelectual e o restante da turma:

1. Vôlei sentado

A modalidade foi flexibilizada com o uso de uma bola diferente e a criação de novas regras. Talvez seja necessário repetir o jogo mais vezes para que o aluno entenda a dinâmica. Veja um vídeo do vôlei sentado

volei sentado para alunos com deficiência intelectual

 

2. Jogo de passes

Em duplas, os jogadores ficaram de frente um para o outro e trocaram passes deslocando-se para frente e para trás, de costas. Essa atividade foi bastante interessante. É frequente nas aulas de educação física que muitos alunos demonstram medo de pegar uma bola lançada a eles. Veja um vídeo do jogo de passes

jogo de passes para alunos com deficiência intelectual

 

3. Montar o robô com formas geométricas

Utilizando blocos lógicos, o aluno deve organizar as formas de acordo com desenhado na folha. Estimula o raciocínio matemático. Repare que poderia ser outra coisa ao invés de um robô. Aqui estamos assumindo que robôs são interessantes para o aluno. Lembre-se de reforçar positivamente os acertos e oferecer ajuda se necessário. Interessante usar objetos do interesse e de coleções da criança para categorização, classificação, agrupamento, ordenação, noções de conjunto e quantidade;

formas geométricas para alunos com deficiência intelectual

 

4. Escrever o próprio nome com pregadores

A foto do aluno atribui um significado especial à atividade. Troque o dinossauro por algo de interesse do aluno. Essa atividade trabalha motricidade fina, além do conhecimento do próprio nome e das letras que o compõe. Dê preferência para personagens do universo infantil e que desperte interesse na criança. Isso pode fazer com que ela desenhe e construa tanto o seu silabário quantos jogos temáticos, o que favorece a alfabetização;

escrever o nome para alunos com deficiência intelectual

 

 

5. Passe o cordão pelos canudos de macarrão

Diferente e criativo, esse é um meio de estimular a motricidade fina do seu aluno. O desafio está em contextualizar a atividade a algo significativo para o aluno.

motricidade fina para alunos com deficiência intelectual

 

 

6. Canção nos palitos de picolé

Uma forma de trabalhar com a música preferida do seu aluno, quando esse está na fase de formar frases. O objetivo é ordenar os palitos de forma que a canção fique correta.

trabalhar texto com alunos com deficiência intelectual

 

7. Memorização de letra e imagem

Mais uma forma de registrar o alfabeto de um jeito interativo. Usando esse recurso como jogo, você pode criar um jogo da memória, onde o aluno deve memorizar a palavra correspondente à letra. Quando ele acertar, use reforço positivo, nunca esqueça.

memorização com alunos com deficiência intelectual


8. Contar os palitos

Uma das várias formas de trabalhar com quantidade e ensinar os números.

trabalhar quantidade com alunos com deficiência intelectual

 

9. Réguas de Motricidade fina

Essas réguas podem ajudar muito se o aluno possui problemas de motricidade fina. Caso não consiga comprar pronto, faça você mesmo com um papelão duro.

motricidade fina com alunos com deficiência intelectual

 

10. Quebra-cabeças adaptado

Os quebra-cabeças serão sempre uma boa opção. Para alunos com desafios intelectuais, comece com apenas duas peças. Os encartes de revistas são excelentes para a criação de quebra-cabeças, além de possibilitar percepções de posições no espaço; Dê preferência para figuras do interesse do aluno. Lembre-se que desenhos podem ser muito abstratos ainda.

quebra cabeça com alunos com deficiência intelectual

 

11. Associação de cores com garrafas e tampinhas

Usando uma caixa de sapatos e garrafas descartáveis, você pode trabalhar associação, reconhecimento de cores e motricidade fina de um jeito bem diferente.

ensinar cores para alunos com deficiência intelectual

 

12. Crie brinquedos com material reciclável

Use sua criatividade e o interesse do seu aluno para criar um dia extremamente agradável e cheio de significado. Aproveite os momentos de construção dos brinquedos para fortalecer o vínculo afetivo com seu aluno. Nas imagens abaixo, assumimos que o aluno gosta muito de robôs. O objetivo é trabalhar a concentração, paciência, criatividade, lógica, formas geométricas, motricidade fina e muito mais. O uso de itens como fita crepe, tintas, carrinhos, carimbos e massinha é ideal para estimular a coordenação viso-motora; e aprimorar as habilidades de preensão;

artesanato para alunos com deficiência intelectual criar brinquedos para alunos com deficiência intelectual colagem para alunos com deficiência intelectual

2 Atividades de português para alunos com deficiência intelectual

Alfabetizar alunos com deficiência intelectual, ensinar a escrever, trabalhar vocabulário, plural… bom, tudo é um desafio. Nessas tarefas, contextualizar e significar é muito importante. Abaixo temos dois ótimos exemplos de professoras que usaram desse recurso.

1. Construir um livro sobre a vida do aluno com deficiência intelectual

A professora Andréia Cristina Motta Nascimento é titular da sala de recursos da EM Padre Anchieta, em Curitiba, onde atende estudantes com deficiência intelectual. Este ano, desenvolve com eles um projeto baseado na autoidentificação – forma encontrada para tornar o aprendizado mais significativo. A primeira medida foi pedir que trouxessem fotos, certidão de nascimento, registro de identidade e tudo que poderia dizer quem eram. “O material vai compor um livro sobre a vida de cada um e, enquanto se empolgam com esse objetivo, eu alcanço o meu, que é ensiná-los a escrever”, argumenta a educadora. – Fonte: Nova Escola

2. Use o interesse restrito do aluno com deficiência intelectual a seu favor

Para a professora Sumaia Ferreira, da EM José de Calazans, em Belo Horizonte, esse canal com Vinicius Sander, aluno com autismo do 2º ano do Ensino Fundamental, foi feito pela música. O garoto falava poucas palavras e não se aproximava dos demais. Sumaia percebeu que o menino insistia em brincar com as capas de DVDs da sala e com um toca-CD, colocando músicas aleatoriamente. Aos poucos, viu que poderia unir o útil ao agradável, já que essas atividades aproximavam o menino voluntariamente. Como ele passou a se mostrar satisfeito quando os colegas aceitavam bem a música que escolheu, ela flexibilizou o uso do aparelho e passou a incluir músicas relacionadas ao conteúdo. “Vi que ele tem uma memória muito boa e o vocabulário dele cresceu bastante. Por meio dos sons, enturmamos o Vinicius.”

Meu plano de aula e atividades não estão dando certo com alunos com deficiência intelectual. O que fazer?

Há fatores biológicos e fatores ambientais que podem interferir na estratégia pedagógica para alunos com deficiência intelectual.

Por exemplo, o cansaço do aluno ou do professor, a não aceitação do aluno em realizar atividade, o nível de complexidade da atividade (podendo ser de fácil realização, causando desmotivação ou pelo contrário, de difícil realização, causando frustração), sono, reações adversas de um provável remédio que o aluno faz uso, postura incorreta (ergonomia inclusiva), além de lugares com muita interferência sonora.

Planejar uma aula que não surte o efeito desejado também te revela o que não funciona com o aluno, para que da próxima vez você possa tentar algo diferente. Isso é normal. Lembre-se sempre de tentar conhecer e se aproximar do seu aluno cada vez mais, pois os gostos, anseios e desejos do seu aluno estão sempre mudando.

Finalizando…

Não adianta insistir em falar a mesma coisa várias vezes. Não se trata de reforço. Ele precisa desenvolver a habilidade de prestar atenção com estratégias diferenciadas para, depois, entender o conteúdo”, – Maria Tereza Eglér Mantoan.

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Referências

BRITES, Dr. Clay, O que é Deficiência Intelectual?, NeuroSaber, Disponível em: https://neurosaber.com.br/o-que-e-deficiencia-intelectual/

BRITES, Luciana, Atividades Adaptadas para Alunos com Deficiência Intelectual, NeuroSaber, Disponível em: https://neurosaber.com.br/atividades-adaptadas-para-alunos-com-deficiencia-intelectual/

RODRIGUES, Leandro, 26 dicas de comunicação com Crianças com Necessidades Especiais, Instituto Itard, Disponível em: https://institutoitard.com.br/dicas-de-como-se-comunicar-com-criancas-com-necessidades-especiais/

HUNTER, Madeline, Teoria da Retenção para Professores, 8ª edição, Editora Vozes, 1989

HUNTER, Madeline, Teoria do Reforço para Professores, 8ª edição, Editora Vozes, 1989

MANZINI, Eduardo, Jogos e Recursos para Comunicação e Ensino na Educação Especial, ABPEE, 2010

TEIXEIRA, Josele, NUNES, Liliane, Avaliação Inclusiva – A diversidade reconhecida e valorizada, 2ª edição, WAK editora, 2014

Leandro Rodrigues

Professor nos cursos do Instituto Itard, especializado em Educação, Diversidade e Inclusão Social, com foco em Tecnologias Assistivas e Comunicação Alternativa. A equipe do Instituto Itard é formada por professores, tutores e consultores especializados em educação especial e educação inclusiva.



12 thoughts on “Como Trabalhar com Alunos com Deficiência Intelectual – Dicas Incríveis para Adaptar Atividades!

  1. Marivânia Martins Mendes says:

    Boa noite! Estou muito satisfeita com a dimensão do apoio, pois tem me ajudado direcionar minhas formações e ampliar cada dia o conceito acerca dessa temática. Obrigada pela sua colaboração e está disposto continuar nos ajudando.

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